terça-feira, 23 de agosto de 2016

O instante

O instante feliz
Elevado no ar
É a luz da realização.

É o desejo distante
Que a luz conquistou
ao abrir os caminhos.

É a plenitude do ser
Na passagem das luzes raras
Que inspiram novos sonhos.

Ives vietro

sábado, 30 de julho de 2016

Desprendimento

Seus mistérios me levantam
trazem das crenças os humanos
Seus instintos as essências
fazem das ações as diferenças

Abnegar-se da matéria
Equilibrar-se no planeta
Soltar desejos reprimidos
Ajudar os mais sofridos
São emanações divinas

Sobre a sopa doada
no frio da madrugada
Sob o foco a luz sagrada
Anônimos solitários
Dispensam a propaganda

Ives vietro

sábado, 2 de julho de 2016

Energia

Deixe-me inalar a tua luz.
Às trevas o meu peito sofrido
Usa teus brilhos de madrugada
Ao sonhar com teus beijos.

Oh, mares, mares além dos mares.
Que dor de tuas ausentes luminárias.
Oh , flor, flor, além das flores
Sozinho, busco-te tão apaixonado.

Às nevoas madrugadoras tua face
Banha minha saudade de poesia.
Elixir dos anjos existires nos sonhos
Pois sem eles de certo choraria.

Ives vietro

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Lábios alados

Lábios alados oceânicos
Sobre os azuis dás águas
Voa a tua boca sonhadora.

Doce mel de versos
Banha tua pele de rosas
Flores da pura poesia.

Essência de alma poetisa
Vem de outro plano
Falar dos jardins que não vejo.

Voz de voos reencarnados
Luzes dos anjos verdadeiros
Em tua boca me encontraram.

Anja de asas iluminadas
Escolhida força que te alimenta
boca do espelho que precisas beijar.

Ives vietro

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Brasil.

Andando pelas ruas da minha cidade constatei algo cruel, triste. Falta mais ao Brasil que políticos honestos. As pessoas atiram pelas janelas o resto do que comeram: papeis de bala, latas de cerveja. As vielas entopem, os rios transbordam, o solo fica poluído. Acredita-se que o shopping é bonito, com lojas vindas de fora. Vendem lanches pequenos, e fazem fila para comprarem o que é supostamente da moda. Sugestionados pelo consumo, compram na TV a ideia de um capitalismo cruel, triste. Artistas famosos lutam com voracidade por pessoas que estão atrás das grades, e que claramente são culpadas. Falta o crucial, gente. Sejamos francos, as pessoas mais pobres não têm noção do que acontece lá em cima; ficam à deriva de um poder que tende à gama das grandes lojas, dos grandes conglomerados. O que podemos fazer, nós, o povo? Será que queremos olimpíadas, gente? Pedimos copa do mundo? Não, gente. São essas empresas vestidas de capitalismo que arrastam tudo pela frente, devoram os hospitais, as escolas e deixam esses restos de homens a nos governar. Desliguemos as TVs, mudemos de lojas, vamos beber o sumo brasileiro, curtir algo da nossa ampla cultura. É ao acordar que começamos a compor uma peça evoluída, gente! Uma grande nação se faz com grandes cidadãos. Abraços ives vietro

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Amor

"Não brinque com os sentimentos dos outros". O eco veio entre o sonho e o despertar noturno. À penumbra, o relógio estridente marcava o compasso da madrugada. Faltavam algumas horas até as luzes do sol entram pelas frinchas da alma e aquece-la de novos rumos. Livre de qualquer compromisso o dia prometia repouso, mas o calabouço do amor é ainda mais fundo, e foi ele quem me arrastou diante da chaga que aparentemente estava fechada. Uma linda mulher de cabelos-caracóis adentrou-se no limiar da minha morada. Fechei a porta, tranquei-a, mas a imagem voltava e voltava. Lembram do filme "Somewhere in time"? quando o Richard no hotel passa as noite a olhar a foto da Elise? eu sei bem o que é aquilo. Certamente o poeta que escreveu o filme todo passara pelo paroxismo. Foi naquele dia, após o eco vindo das trevas, que conheci a mocinha de semblante translúcido. É preciso respeitar a película protetora feita de luz que esta antes do corpo que amamos; se vaza-lo com injurias e magoas ficará gravado como num filme imortal: e creiam, há frases imperdoáveis. Sabia, com o branco dos olhos que aquela me traria paz, tormento, pesadelo. Os arrepios fantasmagóricos, os olores que despertam a ansiedade, os versos formados no fundo das existências eram enleios deflagrados pelos anjos ao redor do nosso encontro. "O que querem de mim"? Seriam anjos do inferno? A força é descomunal, e sentimos que chega a ser covarde a diferença do braço forjado no sobrenatural. É o corpo atraído pelo magnetismo que entra no vosso campo gravitacional e gira eternamente; ora, se manifesta no corpo físico, ora é luz de um abismo. Diferente. Tão diferente. Não há preceito, os vincos do amor são infindáveis, olhai os rostos dos poetas. De uma beleza que só eu podia ver, invejassem com o frumento humano ou não, era ela a mais bela do mundo, do meu mundo, do mundo todo. Ficamos presos numa esfera celeste, aonde os movimentos eram iluminados pelo silencio. Sim, entram os valores em voga, mas o que segue no espírito é o que da rumo ao Ser. São as luzes ancestrais que acompanham na alma os destinos do bem. Esta dentro de nós a defesa contra a explosão imortal, e nunca passageira como creem. Vi que não era perigoso e deixei o corpo unir-se ao meu. Entrega-se plenamente, eis o medo de entregar tudo, mas não é permitido entrar no paraíso com suspeitas do amor inventado por Deus. É, ainda, Romeo e Julieta, A bela e a Fera, Tristão e Isolda...! A arte imitou a vida, foi o poeta que descreveu a força motriz humana. Força que movimenta o nosso ego em virtude de ações que são causas, e não efeitos desse amor todo. Vem sempre acompanhado por vulcões loucos a serem expelidos, para que possam escrever nos céus a essência desta felicidade, ou desta angustia quando a chama se afasta, seja um minuto, imaginem a madrugada toda? abraços

terça-feira, 7 de junho de 2016

pega o peixe logo

Em tenra idade meu pai ensinou "te arrumo a vara, você pesca." Na beira da lagoa um dia ensolarado havia um peixe perto da isca, achei melhor espera-lo, meu pai disse "coloca a isca lá perto e pega o peixe." Essa lição ajudou-me muito nas minhas aventuras...! Esses dias uma amiga disse que daria um gelo no carinha...passaram alguns dias o carinha estava com outra...minha amiga magoada descobriu que o menino gostava dela, mas achou outro caminho...aí, eu disse, "da próxima vez, pega o peixe" ...abraços

quinta-feira, 2 de junho de 2016

divagando

um anjo pediu-me que sem correções corresse a registrar o que viesse da canção que me arrastava pelos pés com notas aladas...é o prelúdio do amor, tanta saudade do vapor que me invade...a canção que me apaixono e ouço milhares de vezes, é como ser tomado pelo êxtase de querer compartilhar, de dizer ao mundo que sim, somos felizes, a arte existe e é maior que o ser humano...ela abre o egoísmo e deposita um baú de vontades...de superar-se, de entender-se como parte da esfera mágica que é a arte, a Voz de Deus...acho que vou passar a noite a voltar a mesma canção...que loucura, mas é pura paixão! abraços

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Equilíbrio.

A arte de arfar
é apanágio da alma livre
que vaza o corpo
e traz à tona o mel da vida.

Paroxismo acerbo
Exigir do ar fleumas espelhadas
Amar como se é amado
inalar o que é exalado.

Mas é o fio do equilíbrio
agir com o Sol nos olhos
a encantar a minha lua sedenta
a iluminar e ser iluminado.

ives vietro

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Hexágono

Teus poros são favos de luzes
Perfeições emanadas dos céus
Hexágonos no imo da criação

Quem?
Ensinou a abelha trabalhar?
De onde
Vem este fogo no olhar?

Imagens doces dos olhos, proporção divina.
Linhas, enleios, a ponte toda, na aura.
Colmeia dos anjos, pote das respostas.

Teu corpo todo
exala o mel da criação.

Ives Vietro

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Amor (final)

Foi a apenas oito dias o ocorrido, tempo exato de cada capitulo desta história que ainda corta o meu coração de alguma forma, mas a decepção também corrobora a escolhas que ficam no meio das nossas vidas, e que vez ou outra voltamos com novos olhares sobre elas, e questionamos se de fato foi o rumo certo que tomamos. Tínhamos aqueles valores, e outros vieram, mas alguns sempre são enraizados em rochas no fundo da alma humana! Não esta escrito em compêndios, nem em grandes teses defendidas por doutores, não há resposta melhor do que esta que segue o nosso coração . Ela foi viajar com a família a um grande e luxuoso hotel. Deixou-me apenas alguns versos de despedida, neles estavam congelados os dedos inseguros. Foi combinado tudo de ultima hora e não podia deixar mais que aqueles versos curtos que pareciam em formato de punhal, que me rasgavam lentamente! A exatamente oito dias ela voltou do hotel. Dormiram todos no mesmo quarto, mas segundo ela em camas diferentes. Ao abrir a ultima vez a câmera quis ver o seu rosto. Ela estava aos prantos, de joelhos, jurou em nome dos céus que não fora além do que acreditava também. Mas aí, entrou a necessidade, a razão em lugar de um ser que não pode, nem poderia ficar simplesmente à deriva. Fechei a tela e recebi apenas algumas palavras que seriam de verdadeiro amor. Mas a fidelidade no amor havia sido rompida e então não pude mais que seguir os laços sagrados do peito. Alguém quebrou esse laço, e lembro-me do poema esquecido, escrito no fundo do bar noturno! Não revelarei a ninguém a minha vergonha de terminar com uma esperança tão amarga!

Amor 7

Lembro-me bem de uma noite de sábado quando meu coração falou muito mais alto que o instinto animal. Eu estava num barzinho noturno com alguns conhecidos, que falavam e falavam sobre tantos assuntos interessantes, mas o que eu mais fazia era afirmar o que falavam. Não estava ali de fato, meus desejos nos pulmões exalavam ares saudosos. De quentes fleumas eram os versos que se formavam além das letras que vinham de todos os cantos, pelos murmurinhos dos vizinhos de mesa. Subitamente, um torvelinho inesperado tomou conta dos meus amigos. Algumas meninas, sentadas à mesa ao lado, trocavam alguns olhares com eles. Sorri e incentivei-os na empreitava, mas disse que ficava de fora. Eles se levantaram e deram os primeiros passos a abordarem as meninas. Um dos que estavam comigo e que é o meu grande amigo, não acreditou bem na minha escolha, mas respeitou como os grande companheiros fazem. Havia uma tela enorme onde passava alguns clipes musicais. O mais impressionante foi ouvir a música que eu e o meu amor considerávamos a nossa. Peguei um guardanapo de papel e escrevi a minha melhor poesia. Pena que ainda não tenho coragem de mostra-la a ninguém, talvez, porque revele as minhas mais inseguras flores. Uma lágrima ameaçou a brotar da minha alma, meu amigo lançou-me um olhar conhecedor do que se passava, e apenas fez um gesto de resposta com a mão, quando viu-me partir sozinho à minha casa. O amor fez de mim um fiel escudeiro do que acreditava, e no fundo acreditava demais naquela que amava. Ao abrir o computador aquela noite havia apenas uma despedida. Foi ali que começou a ruir todas as minhas expectativas. A frustração macula o amor.

sábado, 7 de maio de 2016

Amor 6

Respondi a uma mensagem vinda da querida flor. Fiz promessas aos céus que não voltaria a falar com a Mulher, mas desta vez em vez de um recado de amor, tratava-se de um desabafo. Senti um peso insuportável nas costas e sem notar já abria a câmera a ouvir o desabafo. Ao ver a imagem da bela meu coração saltou. Ela estava divina, mas uma aureola negra se formara em seus olhos, e com o olhar apático ela expressou um sorriso medroso. "Que bom te ver, acima de tudo, I..." Parei no ar como um beija-flor ao que ela sentiu a minha paixão fluir da aura. E, por ficar preocupado com o desabafo, perguntei o que acontecia. Seu filho não estava bem. Uma febre repentina atacara o menino que já tomava medicamentos forte a controlar a gripe. Ela tinha pessoas e amigos a conversar mas era em mim que sentia a energia necessária a suportar melhor o momento. Conversamos uma meia hora e me despedi dizendo que oraria por eles. Parecia que ela queria suplicar algo, mas fechei tudo e voltei ao meu texto, que continuo agora. * A religiosidade num casal é importante, mas quando as ideias são díspares o que fazer? Já vi homens sofrerem tanto em nome de leis que descobriram nos ensinamentos sagrados. Homens que preferiram deixar partir uma pessoa que podia ser o amor de sua vida. Até onde vai o respeito pelas diferenças? No dia que lhe disse que sou Batista ela ficou estupefata, não sabia ao certo que eu, apesar de protestante, tenho a mente aberta a receber a luz divina, e quem acredita que só há pastores péssimos está enganado. Tive um pastor que era o amor em pessoa, que ensinava com as ações. Aprendi lições que encontro na confluência do meu próprio ser. A bondade do Verbo enviado, o amor desprendido são apanágios de raros virtuosos, e não de religiosos. Aprendi a não falar o Seu nome em vão, e por mais que tenha errado nunca passei de certos princípios. E, não desejar a mulher do próximo é de uma atrocidade quando as figuras da história são duas pessoas que nem tiveram culpa da atração tão poderosa. O que fazer, então? Qual rincão do universo podemos silenciar o coração que não consegue descansar? Ela é católica, disse-lhe que respeitava demais o catolicismo assim como respeito as outras religiões. Falamos com muita propriedade do que acreditamos, mas ela fez alguns apontamentos a cerca da minha religião. Até isso acho válido, sim, não tenho a pedra fundamental da vida, e dialogar é encontrar-se na luz. Ouvir, é ouvir verbos que te desprendem da matéria. Ouvir é ser o outro. "Tudo bem, S...., na verdade não tenho culpa da má fama que muitos pastores fizeram." E fazendo um breve comentário, os tais pastores, vis, são prepotentes, e não pastores na essência da palavra. Passado o torvelinho voltamos a amar, amar com dois sentidos que juntos eram cinco, seis, infinitos. Sentia o sabor de sua pele, sentia os olores das águas de seus olhos, que brilhavam chamas que atravessavam a tela do computador.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Amor 5

Antes de continuar, gostaria de registrar mais uma tentativa da doce Mulher de se comunicar comigo. Dessa vez ela disse que esta chegando a um estágio de saudade tão alto que mal pode esconder dos seus mais próximos. * O bem-te-vi ainda dormia quando eu acordava de madrugada a esperar pela alegria. O fuso horário aumentou após a chegada do verão à Europa, então para conseguirmos alguns minutos pela manhã precisava eu acordar às cinco da madrugada, e quase sempre assim fazia com um sorriso que brotava nem sei de que rincão da alma. As noites se tornam indiferentes aos apaixonados, não faz tanta diferença dormir ou permanecer acordado, a contar os segundos. E quando o som da janela da rede social explodia, explodia também o meu coração. Como eu ficava extasiado com a nossa conversa. Lembro-me bem de uma manhã que ela dizia que usara todo o escasso recurso em nome do querido filho que faria aniversário em breve. Ela trabalhou de sol a sol a realizar a festinha do filho. "Não deixarei-o sem a felicidade." Não entrarei em detalhes, mas Portugal também entra numa derrocada total em relação a economia, portanto imaginem a superação necessária a doar assim um presente ao filho. Fiquei emocionado no dia que ela falou dos problemas de saúde do menino, da luta que tiveram ao superar aquele momento delicado que passaram. Mas o menino se recuperou e com a benção divina hoje é a razão de tais e tais lutas: viva o amor, a garra de uma mãe genuína. E diga-se de passagem, que cozinheira fantástica. Sabe e gosta de cozinhar. Lembro-me desses detalhes fundamentais a qualquer pessoa.; falo do zelo pela casa, pelas coisas que possuía. Trabalhadora, fora e dentro de uma lar que ruía, sim, mas nem por isso ficava desmanzelado. Lembro-me de um irmão, cuja esposa, ao desistir do casamento, desistiu também da casa, e não só uma vez, nós, os familiares notamos os aromas pútridos quando visitávamos o meu irmão. Não estou dizendo que os serviços da casa é a para as mulheres, claro que não. Quando falávamos sobre isso dizia-lhe que eu gostava também de cozinhar, de varrer a casa, lavar o banheiro...! Conluio, matrimonio, união são assim. Quando ela disse que cuidaria de tudo e de todos enquanto estivesse lá, confesso que brotou em mim a loucura do ciumes, mas ao lembrar-me do meu irmão reconheci que ela estava certa e que se tratava de uma mulher de princípios. Pena os nosso princípios se colidirem tão fora de contexto, que saudade, minha louquinha.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Amor 4

Ainda hoje, após o rompimento, a doce Mulher mandou-me uma mensagem que dizia: "Não tens ideia do quanto eu te amo." Balançou-me plenamente, e tudo que vem do peito assusta quem reconhece a letra cujo adorno é feito do mel das verdades, que reconheço, sim! Sei o quanto ela sofre por um sentimento que esbarrou-se contra uma parede feita de moral. Claro que questiono-me o tempo todo sobre as relações minhas com essas leis que regem a existência baseada em algo próximo da convivência necessária. Senti a lágrima quente a escorrer pelas minhas mãos quando respondi apenas com o silêncio. Senti também o seu sorriso arqueado como nas manhãs que ela sorria ao avistar-me após longa noite à espera da pequena frincha que a vida nos deixara. Tínhamos alguns minutos pela manhã, algumas horas à tarde, e outras à noite. O sol fulgurava em mim cores que os ares não contam, mas dilatavam em mim sensações leves, como se a ponte que nos ligava elevasse a paz que também faz parte de um todo humano, interno, perene. Lembro-me de uma vez que tivemos o dia toda livres e podemos conversar abertamente sobre as coisas da vida. Ela pode recitar os seus belíssimos poemas quando eu escutava sem perder um único verso. Ohh Senhor, quanta dor viera em meio ao caos da verdade. Por que certos impedimentos são tão cruéis assim? Qual a mensagem por detrás da flor que não quer se calar? Os finais de semana ficaram horripilantes ao meu coração, pois a Bela, por razões que o leitor deve suspeitar, mal falava comigo. Tinha que manter as aparência no convívio com o marido! Que tragédia, não? Onde buscar o fino fio da confiança além dos olhos que brotavam lágrimas quando falavam através de tristezas? Só me restava a poesia, que mergulhei desesperadamente em busca de alívio ao tormento que a saudade me causava. Era um fio fino, mas deixava-me levar, ao menos, pelos eflúvios saborosos que vinha além dos mares! "Ahh minha deusa, em nome do amor, lembre-se de mim ao voltares solitária à tua casa vazia de sentimentos" Assim os meus pensamentos fervilhavam entre os bares que passava em busca de algum ouvido anônimo que pudesse me ouvir, e o muito que encontrava era nas canções de um violeiro afinado com os meus devaneios profundos. Definitivamente não há amigos que possam doar palavras, só eu e a Mulher tínhamos o mapa do que acontecia. Quando anoitecia em mim a esperança de dar uma palavrinha com ela, adormecia mais ao torpor do cansaço que pelo embriagues da bebida. Pensem só, se a minha luta, se a minha despedida foi em vão!

Amor 3

Em meio a turbulência um convite inesperado e um tanto tentador tomou conta do meu ser. A Mulher queria viajar milhas e milhas a encontrar a razão de o seu coração descompassar ao ver a minha imagem do outro lado. Algumas vozes costumam voltar num espelho profundo, e foi com lágrimas que neguei tal encontro; do outro lado, lembrava do meu amigo que dizia com os olhos o quanto sofria ao ver a ex esposa nos braços de outro: desconfiava de que já haviam certos laços amorosos entre os dois. Agora, ali, diante do espelho era eu o algoz de alguém? Lembro-me bem do momento em que disse não. "Que isso I..., tu és um garanhão, não deixe de se aproveitar das graças de tal beldade." Mas no fundo não me arrependo não. Quero seguir com meu peito em paz, apesar de estar envolvido ainda numa gama de pesares. A moralidade é tão relativa ao tempo, mas lá dentro a chama da bondade passa pela razão e volta com uma resposta. Temos sim a medida da bondade, seja em que século for. Distanciei-me do ser animal que ataca por fome, ou por insegurança, agora nasce entre a razão o encontro com o espelho! É a consciência na voz divina que traz à luz ecos do passado. Busquei alguns conselhos, mas acreditem, só há respostas no raro julgamento que temos em nós. Temos a difícil tarefa de sermos o que somos, mesmo que possa parecer infantil, tolo ou desajuizado. Os olhos choram, mas na película da luz, a imagem que se segue torna a alma leve, apesar do sofrer. Assim sentia-me quando entrei no meu quarto e passei a sentir saudades do velho Ives que não perdia uma só oportunidade de mergulhar nos prazeres da carne. Mas agora, não era a carne que brilhava, mas sim uma estrela que impelia os dois corpos.

Amor 2

Quando comecei a encontrar-me com o amor, faziam alguns meses que eu me separara de um relacionamento de dez anos. Falo de uma pessoa maravilhosa, que fazia tudo por mim. Mas a pergunta certa é:"por que esperar dez anos a tomar uma atitude"? Vergonhosamente digo, que desacreditado do amor, já via no cotidiano, algo que supriria essa falta. Acreditava que o amor não existia de fato, e o que importava era a convivência pacífica. Acordei a tempo de desprender-me daquela que seria uma esposa passiva, que seguiria atá preceitos religiosos que ditam a submissão da mulher. Não quero isso, quero interpretar a luz de uma forma mais evoluída. Separei-me após um amigo desencarnar-se, ele que era o único conhecedor dos meus segredos, dizia na minha cara a minha falsidade em relação à pessoa que pretendia me casar. E, depois de sua partida, a minha consciência deu um nó no meu coração. Não podia mais entrar na igreja, não podia nem mesmo andar com a mulher que não merecia a minha pessoa. Separei-me então. Deixei-lhe uma pequena lanchonete, onde seria o meu ganha pão. As coisas já estavam péssimas no Brasil, e eu, desempregado investi no tal negócio. Estava indo bem, mas deixei tudo em nome da consciência. De volta ao silêncio do meu quarto, quando passei a idealizar outro projeto chegou ao meu facebook uma menina de cabelos encaracolados, linda de dar medo. A beleza espanta, podem ter certeza. Não queria envolver-me naquela altura. Queria trabalhar cegamente na empreendimento que sonhara, queria me envolver no mercado das flores. Amo as flores, e acreditei por um instante que seria a minha saída, e se não fosse o momento de resseção no Brasil realmente teria me atirado na façanha. Mas, não decolei, e sem dinheiro quase me desesperei. O momento se prepara a receber os vasos do amor, e foi com o calor da vontade que mergulhei na beleza de uma mulher doce e carinhosa. Tudo virtualmente. A força que tirou-me do eixo trazia na bagagem um relacionamento que eu não sabia ao certo o que era, e por mais que ela me dizia, os dias provavam ao contrário. Ela passeava com a família, viajava, enfim, tinha um cotidiano relativamente feliz. Com uma boa estrutura, numa bela mansarda Portuguesa, tinha todo o conforto que um humano precisa. A diferença social, na prática, também é um grande obstáculo, já dizia Shakespeare. Às vezes os finais de certas histórias são trágicas, não como a minha, que não houve sangue, com tudo terminado na altura da maturidade. Aprendi a aceitar as mensagens divinas. As luzes são evidentes, porém a viagem do enleio foi difícil de interpretar. Ela também estava há dez anos num relacionamento cujo fruto era um anjinho delicado, maravilho. Ela disse, com muita convicção que terminaria o casamento, não fossem os entraves que a vida lança sobre os pés. Mas, aparentemente, a Senhorita bela, não amava mais o marido. Sofria lentamente, e comumente chorava lágrimas amargas.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Amor.

Há seis meses encontrei-me com a luz. Estava distante, e por um instante, invadiu-me fortuitamente. Quando comecei a conversar com a Senhorita em questão não suspeitava o tormento que seriam certas noites sem poder tocar a pele que incendiava as minhas manhãs. Costumo comparar o encontro como algo magnético, onde dois corpos são impelidos por uma atração que nem é deste plano terrestre. Tenho certeza de que no mundo espiritual a forja do amor segue padrões que sentimos nas pontas dos dedos, como se fossem pequenas fagulhas que causam choques no imo dos enlaçados. A chuva de dèjá-vús é algo que atesta a veracidade do meu relato. O tempo todo fui invadido por sensações que me remetiam a instantes tão parecidos que eu podia dizer o que aconteceria em breve. No dia em que encontrei-me com a Luz, algo na intuição ditava o caminho da atração. Foi suave e agradável aos meus sentidos, que se abriram aos sentimentos, não apenas como valores do que se apresentava a mim, mas com uma força extremamente poderosa, que colocou no meu campo magnético, a beleza em pessoa. Quando fomos tocados pela varinha divina tentamos nos repelir, mas já não tínhamos força a separar dois corpo completamente presos, e livres...! Ela foi a primeira a propor o afastamento, mas naquele tempo lutei como desesperado a não deixa-la sair do nosso espaço gravitacional. Confesso que fiquei congelado até as raízes do cabelo. Se ela desse um simples clique estaria rompendo o enleio de luz que se formara, porém, ela não o fez, e até há pouco lutávamos a continuar uma história que seria tão linda, não fossem os entraves que vieram com o pacote todo. Não, não foi covardia que me afastou da moça doce, simples e simpática; foram razões que me colocaram contra a parede justamente num momento da minha vida em que estava iniciando um processo de amadurecimento. Disse a ela o que sinto, realmente, que renasci aos 40 anos, com um passado mergulhado na bebida e nas mulheres. Não, não podia mentir. Aprendi a dizer a verdade mesmo que cause certa comoção momentânea, mesmo que custe o meu futuro, afinal, tenho que pagar pelo que fiz. Mas, na prática as coisas são diferentes, e o passado, quase sempre, condena-me. Não adianta mais dizer o que queres. O nome do amor fala alto, vai e traz a esperança que fenece a vontade, mas há coisas que dependem de julgamentos que trazem também valores que não conseguem, e não podem ser engolidos. São tantas histórias loucas, tantos Romeos e Julietas e me pergunto, que força monstruosa é essa que devasta, às vezes, o pensamento de um homem. Passei, e ainda passarei noites fantasmagóricas até que o pulso do magnetismo arrefeça e me deixe escapar pelas paredes do tempo. A poesia passou a fazer mais sentido, não aquelas que se apresentam soberbas, mas essas que nos enlaçam na flor do amor, que sabem o que dizem, com o mel da experiência. As canções, claro, as imortais, falam perfeitamente em ondas que seguem o infinito. Abraços

terça-feira, 19 de abril de 2016

A amiga Ivone.

Olá! A pedido da nobre amiga Ivone vou tentar descrever algo que possa ajudar na leitura do livro “Os irmãos Karamázoz”. Sempre acreditei que antes de tudo é preciso pegar o estilo do autor, a forma com que ele se expressa, a pontuação que usa, e acima de tudo, a filosofia por detrás da mensagem. Esse livro trata de assuntos universais, que no desenrolar do livro, ora esta na boca de um personagem, ora na narrativa do gênio, no caso, Dostoievski. Hoje mesmo estava a ler algo de cunho religioso, onde o Velho Fiódor Pávlovitch diz claramente ao seu filho Ivã que a religião emperra a evolução dos seres. Cada qual reflita da sua forma, mas vemos no desenrolar da trama cenas contundentes o tempo todo. E, temos passagens extremamente iluminadas ao que se refere Deus, e a humanidade, como no discurso do Padre Stáriets Zósima, que sem dúvida deixa qualquer ser elevado ao mais alto grau da existência. Com o tempo percebemos que se trata de uma joia rara, que aprendemos apreciar mais com o tempo! Lembrando que é um livro de umas seiscentas páginas, mais ou menos, portanto temos que dar uma boa acelerada a não perder o segredo do livro todo, ou melhor, é preciso lê-lo rapidamente, assim acredito! abraços

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Profundidades

Após dez anos voltei a abrir “Os irmãos Karamázovi” e confesso que não tinha a mesma profusão necessária a entender bem as linhas de Dostoiévski. A mim, um dos melhores livros da literatura mundial, encerra nele uma riqueza de palavras que sem ter delas uma noção que formam em conjunto, não seria possível desbravar a genialidade do livro. Ao passar a entender melhor, lembrei-me das inúmeras críticas que já recebi quanto à falta de coesão contextual naquilo que escrevo. Confesso que não me faz, mais, a menor diferença os comentários perniciosos, aqueles que não revelam nada. Apenas ressalto que se algo não entra na nossa sintonia naquele instante, não quer dizer que não tenha sentido. Haja vista que ao que se refere à poesia, ainda é menos importante o sentido literal das palavras. Acho lindo quando as palavras me levam às entrelinhas, entendem? Bem, voltando à questão do livro que voltei a ler, achei na primeira página no inicio da narrativa um versículo da Bíblia. Um versículo muito profundo, que não permite uma interpretação “ao pé da letra”. O versículo é: “Em verdade, em verdade voz digo que, se o grão de trigo que cai na terra não morrer, fica infecundo; mas, se morrer, produz muito fruto” João 12, Vers 24. Está fora do contexto, claro, mas o Sr Dostoiévski, certamente, encontrou algo mais nele. E aí, não tem sentido ou não podeis interpreta-lo? abraços

quarta-feira, 23 de março de 2016

Presos

Tentei escapar
Das teias do "universo"
Ledo à deriva
Sou réu confesso.

Recusei a dor
Em nome do desejo
Esta maldita carne
Morada do meu amor.

Voltei lépido
Às presas do regaço
No espelho turvo
O abismo, o abraço.

Velei em sonho
O sortilégio do sorriso
Solto no espaço
A voar no paraíso.

Enleios feéricos eternos
De abajures vibrantes
Luzes dos olhos ligados
pólos dos diamantes.

Presos no amor
na Dimensão da incerteza
inspirados sem querer
Na luz da beleza.

Ives vietro

segunda-feira, 14 de março de 2016

Política

Achei muito positivo o povo na rua a reivindicar os direitos básicos, mas o que me causa uma certa estranheza é o fato de impedirem que quem estivesse contra fizesse manifestações nos mesmo lugares de quem estivesse a favor. Bem, ai não estamos falando de uma nação evoluída, não é? As diferenças devem ser discutidas com diplomacia e sem serem levadas ao campo pessoal. Não, não sou petista, gosto apenas de refletir o comportamento do povo. Os anti-petistas falam da Dilma, dos erros na forma de falar: não acho legal. Ela poderia até falar erradamente e ser uma boa presidente, o que não é o caso, mas não acho legal ofender a pessoa dela, o lado pessoal. Agora, ao que se refere a incompetência, e ao fato de não ter mais governabilidade, se esta ou não envolvida na corrupção são outras questões, não é? Eu sou a favor da justiça com olhos de águia, claro, e me parece que há um movimento diferenciado no Brasil. Acho que a vontade superou a vergonha. Quero acreditar que há alguém, neste país que tenha a diplomacia a governar, assim como quero acreditar num povo que resolva as diferenças com dialogo, pois existe sempre uma forma de satisfazer ambas as partes sem violência. Abraços

quarta-feira, 9 de março de 2016

Schopenhauer

A grande mestra do conhecimento é a humildade, e foi com o coração desprevenido que encontrei no livro de poesia de uma grande amiga a virtude mais sagrada a quem almeja encontrar a Senda genuína. Sem causar expectativas em mim disse que se tratava apenas de algumas linhas abstraídas do cotidiano lasso em que vivia. Ao abrir o livro deparei-me com o espanto a ponto de causar-me lágrimas. Tratava-se de uma grande poetisa. Quando ela voltou a falar comigo após ter deixado o país não pude esconder o delírio ao ouvir de sua boca leve a palavra "saudade". A experiência que carrego leva-me a crer que nunca se deve deixar de atentar às palavras, sejam ela as mais simples, que não era o caso, pois se tratava de um sentimento que alude à outros sentimentos mais profundos. Não sou filósofo, sou apenas um viajante das ruas que encontrou nos livros uma "fuga necessária", porém, ao deparar-me com a graciosa e bela mulher estava a ler um dos maiores filósofos da história: Arthur Schopenhauer. Fato esse que ajudou-me infinitamente na abordagem de assuntos profundos aos quais a Dama à minha frente propôs a elaborar. A vontade como representação, a analogia de Platão com o poderoso Kant deram à minha retorica a potência necessária a causar uma ótima impressão. A dificuldade de depurar os objetos individuais a buscar a priori o que há em si torna qualquer assunto plausível, desde que com a mesma humildade deixemos ser ouvidos, porque é extremante difícil elaborar tais teses. Mas a menina era tão humilde como ouvinte, e não interrompia a minha divagação enquanto não lhe desse a pausa espontânea. Deixou-me livre. A seguir, a moça de aspecto leve sorriu e disse: tu és humilde, hein, pois falaste que mal havia lido um ou dois livros de filosofia, agora faz um síntese tão acertada a cerca de um grande pensador. Fiquei comovido novamente, e a menina sorridente disse com os olhos que aprovara-me na sua fortaleza interna. As coisas de encaixam tanto que não dúvidas a respeito da beleza divina, que coloca os serem os movimentos, nos devidos lugares e instantes. Enfim, somos dois humildes que se encontraram nas estradas desprendidas, espontâneas, sem espaço para o efêmero. ives vietro

terça-feira, 8 de março de 2016

Incompreensível.

Meus amigos, gostaria muito de partilhar com vocês uma dúvida que paira no meu pensamento há tempos já! Confesso que já meditei muito sobre a questão que colocarei a seguir, e não consegui mais que tatear no escuro a razão dessa minha incompreensão diante da minha própria impressão e espanto. Refiro-me à algumas meninas muito novas, que usam roupas muito curtas a mostrarem o corpo em público. Não, não sou moralista, acho que cada qual tem sim o direito de fazer o que "quiser" num país mais "livre" como o Brasil, e os meus valores, as meus ideias, são meus, e não posso mais que tentar racionalizar a questão que me assusta. Ontem, uma menina que devia ter os seus 16 anos usava um shorts tão curto que causou-me um certo embaraço ao vê-la tentando se proteger das vistas dos homens que passavam. Por que tão curto, então? Eis a minha dúvida! Como tenho um público mais feminino por aqui, gostaria muito que me ajudassem nessa que é somente dúvida! É normal? Não acabam despertando o instinto dos homens? É só provocação? O que é? Abraços

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Os três criminosos (conto).

Uma menina linda vinha descendo a avenida principal do bairro distante da cidade desconhecida. Ao lado dela um homem formado aliciava a menina doente que saíra de casa sem rumo certo. Ela sofria de algum distúrbio passageiro, mas com tempo suficiente a alguma investida criminosa. Mais dois homens que sabia da fama da pobre seguiam àquele que levaria a jovem ao mato, atrás da fábrica abandonada. O primeiro logo tirou a roupa da jovem que amedrontada pelas investidas do homem entregou-se sem desejo. Depois foi o segundo, o terceiro, e enfim, os três juntos. A polícia jamais saberia do ocorrido, nem a menina lembraria. Ahh Peço perdão ao entrar no terreno religioso, mas as vias divinas são desconhecidas, e quem pode desacreditar da parte que diz que Deus é um feroz defensor dos inocentes. Dali alguns meses o primeiro caiu de moto e morreu, o segundo contraiu câncer e o terceiro apresenta a mesma doença da menina que fora violentada. Esta no úmido dos olhos, gente! As lições são divinas ante a perene existência da alma. Abraços

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Conto

Havia na cidade um homem completamente perdido entre os amores que lhe invadiram a vida. Bonito e cheio de encantos desfrutava há tempos quem entrasse em seu campo visual com os olhos sedentos por pele. E quanto mais experiência ganhava, mais conseguia obter aquilo em que acreditava ser o ápice da existência. Sexo? Com o tempo tentou focar os pensamentos em algo realmente doce, que lhe fizesse perdurar como chamas de um amor perene, porém, logo que outra beldade trocava esses olhares que os homens sagazes entendem, não deixava de cair, de sair da estrada que havia escolhido. Lá pelos cinquenta anos olhou-se nu no espelho, e viu-se com as marcas da vida desregrada, mas não desanimou das conquistas, pois o que faltava no corpo a lábia esperta o compensava. Quando o repentino aflorou-se nos seus olhos, estava diante de uma menina vinte anos mais jovem do que ele. Ela, de tranças peroladas que luziam às luzes da lua, caiu à deriva neste barco perigoso. No passado do homem o sangue que ainda não manchara a sua consciência, começou a pulsar levemente nas raízes mais profundas. Ele, como sempre, tinha várias mulheres no canal das suas noites, mas a jovem era realmente encantadora. Ao convida-la a alcova repudiou-o com os encantos que ainda se estabeleciam nos valores herdados da família. Ela queria casar antes, queria constituir esta família que era base para o seu seguro não. Além da apetência que já andava decaída o homem viu naquela jovem o romantismo que tanto esperara. As flores beijadas por ela tornavam-se cristais líquidos entorno dos olhos que não deixavam cair as lágrimas. Ela tinha um amor genuinamente fincado nas rochas do coração, mas não o entregaria, se o homem não cumprisse exatamente como mandava o ritual "sagrado". Casar. Mesmo em meio a este ensaio de paixão o homem não deixou de visitar as outras, mas quando via-se de frente da jovem, seu coração mergulhava numa dor latente que nunca sentira antes. Ao passar a frequentar a mesma igreja que a jovem frequentava, perscrutou o coração em busca da resposta àquelas dores. Dizia à menina que casaria, que faria tudo como mandava o "figurino"; queria de qualquer forma experimentar aquele frescor a qual vagava cada vez mais longe. Sabia que o sexo é poderoso, e o instinto da sobrevivência não resiste muito tempo às tentações. Foi num sábado, quando estavam sozinho, que ela cedeu. Cedeu em partes pois o homem simplesmente não pode completar a posse da jovem. Uma fadiga grandiosa invadira o seu corpo bem no momento em que tiraria a virgindade da pobre menina. Usou da malícia ao dizer que não deveriam mesmo, e que poderiam adiar o momento de cumprir o que estavam fazendo após o casamento. Na mesma noite correu para os braços das outras e mesmo pejo impediu que desfrutasse os desejos da carne. Então, o homem sentiu-se isolado do mundo. Aquela que lhe amava tanto não servia ao diálogo que necessitava ter. E foi à luz do luar que encontro definitivamente a consciência. Deixou o mundo profano a desfrutar o paraíso com a jovem. Casou-se e escolheu como caminho não o casamento, mas as virtudes que se encerravam nos preceitos da menina mais ajuizada do que ele. Porém, o tempo trouxe descobertas, e a menina soube por terceiros que havia sido traída no tempos do namoro. Rompeu com o homem que viu-se novamente diante da consciência. Apanhou. O que faria dali em diante? Não poderia apagar o passado, mas poderia buscar o tempo perdido, e foi numa forma de arte que encontrou a válvula de escape ao seus tormentos que renasciam todas as noites. O sono é o palco do passado. Após alguns anos a jovem, que não se relacionara com ninguém descobriu dos afazeres do homem, e encantou-se como o fato do seu amor estar num caminho acertado! Ao voltarem construíram, enfim, o ideal da jovem, que ele amou de coração! ives vietro

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Amigos

Meu grande amigo perdeu num acidente os movimentos das pernas, e não houve outra solução além de aposentar-se por invalides. Como se não bastasse a esposa abandonou-o quando não tiveram como pagar o acabamento da casa que ainda mostra os tijolos comidos pelo tempo. Seus carros empoeirados lembram as histórias dos sábados à noite quando ia ao clube mais conceituado da cidade, ou às praias mais badaladas do Rio de Janeiro. Sábado, ao visita-lo, tirou da cristaleira antiga, duas taças que restaram da era de ouro. Brindamos à amizade, a esta beleza que supera a dificuldade. A filha, que ironia, estudada e bem de vida, não fazia uma visita há meses, dizia pelos olhos o triste amigo à minha frente. Namorei com ela, que lástima a minha, pois já via os traços do egoísmo acerbo em relação às coisas do coração. Após alguns anos separados aquele que chamo de Mestre, descobriu que um dos filhos não era do seu sangue. Que tapa, não? Quando estávamos juntos, já sabia que um dia seriamos bons amigos. Afinidade, sim, afinal gostava muito de ler, e até hoje temos altos papos acerca dos imortais da literatura. Naquela altura, o Mestre, incompreendido, não deixava de expor as ideias que até então todos consentiam; afinal o nível social dá crédito ao que se fala? Depois, ao perder quase tudo, o que lhe restou foram sussurros de louco. Ele tem uma biblioteca empoeirada, com livros extremamente raros, como por exemplo, “A divina comédia” em versos e em Italiano. É um verdadeiro Mago, que admiro imensamente. Ao despedir-me dele falei no tom de amigo, que ele deveria se orgulhar por não ter perdido aquela poesia toda. E, ao tom de amigo, respondeu à gentileza dizendo, “o que tenho é de fato espiritual”. É uma oração tão singela, mas pensando bem, é o que temos! ives vietro

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Cores brilhantes

Nívea pérola irradiante.
De olhos Caramelados,
Lampejas das trevas
Uma aura tão cintilante.

Teus cálidos lábios rosa
Movem-se como a flor,
ao abrir-se e beijar o sol,
O Astro-rei do nosso amor.

Presa à livre penumbra,
Meus olhos a deslumbra,
Soltos no espaço profundo,
Órbita do nosso mundo.

ives vietro

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Sensual.

Subjetivas forças adornam um corpo de fantasias que lhe apimentam ainda mais, muito mais! São os desejos reprimidos na infância, que em alguns se dispersaram em curtos encontros às escondidas. Via a sensualidade em camiseta branca furada,ou em sandálias velhas com cheiro meio acre de uns pés bem sujos pelas brincadeiras inventadas. Sempre atrás de uma árvore,ou de um muro esquecido pelo mundo...! Uma menina não diferente das outras, cujo crime era soltar-se nos desejos a incentivar-me a ponto de perder os limites que a mãe estabelecia, e era sempre com curiosidade que tateava aquela pernas frescas...! Ela se arrepiava inteira. A troca é que é o barato do tato. Ensinava-me os caminhos de seu corpo como alguém obedecendo aos instintos. E repito, não era menos virtuosa que ninguém, só obedecia os desejos, pois esses tão poderosos, mal podem ser ajuizados, como reza a boa regra. Mas atrás das paredes esquecidas do mundo, quem não tem pecado que atire a primeira pedra! abraços, ives vietro

sábado, 28 de novembro de 2015

Paixão.

É um estalo no horizonte, uma luz que desce e se aloja sem nem querer, e que não sejam culpados os ousados que mergulham nas labaredas azuladas. Complô do universo que veste o verso de magnetismo. Começamos a nos falar despretensiosamente e paulatinamente até transformar-se em fogo pálido nos nossos rostos afogueados. Tudo tende a confiar no coração, pois esse não teme entrar e vasculhar o universo em busca do amor. E a musa inspiradora desta declaração entrou na órbita que nem é minha, pois pertence as energias que se buscam num emaranhado de pequenos feitiços avermelhados. Uma boca seca de tanto suspirar delírios não teme mais permanecer nessa esfera celeste, assim como a Terra já não teme mais o poderoso Sol. Raro quando recíproco, de uma magnitude feita de entregas cheias de sinais pelo corpo. É impressionante como os olhos brilham e o pulmão clama por essa chama que chama os corpos a permanecerem unidos. Dentro desta esfera vêm as luzes ainda mais profundas, com ares filosóficos aos mais racionais, ou apenas eflúvios emocionantes aos que se entregam nessas ondas. Indo mais longe ainda, a minha musa inspiradora entende todos os meus poemas como se fossem partes dela que chegam em linhas exatamente na mesma frequência. E indo ainda mais longe sinto o quanto os filósofos estão certos ao dizerem que a razão é necessária para não nos perder completamente. Sim, é preciso predispor-se a catarses constantes a fazer das letras algo que chegue mais próximo dessa fornalha. Ela reúne nos sentidos todas a belezas que a alma pode ver. É o a priori de Kant que faz da estrela uma experiência que pode ser ainda mais purificada, é o que busca num todo a possibilidade de conhecer-se a si, no outro. Bem, mas voltando ao universo mais romântico que filosófico sinto que quem se perde o faz sem o mínimo de juízo, e se encontra muitas vezes completamente carente de carinho, de afetividade. Mas há no meio de toda essa paixão um fio condutor divino, o coração. Do outro lado esta o mesmo coração que faz do encontro uma busca justa, e quando se sente que esta perdendo é porque em algum ponto não houve o equilíbrio, então acontece de a paixão a ir de esfriando, isso graças exclusivamente ao coração do romântico, que vai de forma sofrida se afastar até esquecer a chama toda, ou ficar ainda mais aguçada se houver a troca perfeita. Os sentimentos são colocados sobre a mesa e o outro coloca os mesmo sentimentos, para o resto, tudo se torna indiferente, pouco importa os valores materiais ou se o amado faz coisas que não estão tão bem em conluio com a moral em voga, mas podem e devem cobrar aprumo sem deixar de amar. No caso em que quando alguém entra no nosso universo e as coisas fluem de tal maneira que já esta tudo arranjado, não tenho dúvidas que é realmente algo do destino. E cresce tanto a ponto de fazer aparentes loucuras ao resto do mundo que não ouvem mais os felizes, a felicidade causa inveja aos menos espirituosos, por isso os loucos vão se afastar até irem a lua-cheia! ives vietro Bem Gente, são apenas divagações, qualquer semelhança com a realidade á apenas ocasional, ok? Claro que gosto de críticas, desde que seja fundadas realmente, se não forem posso tomar como perniciosas, e então tendo a me distanciar! Lembrando que escrever é expor a alma, e essa precisa de muito tato para ser retorquida! Lembro-me de uma história em que havia na cidade um grande poeta que não falava com ninguém, pois se cansara de dar ouvidos a ouvidos surdos, e podem crer, se não há sentido para um, com certeza nas entrelinhas alguém vais encontrar uma centelha e fazer dela uma coesão absurdamente perfeita! Abraços

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Brasil?

Poxa meus amigos, minha indignação hoje é pela americanização do Brasil e até do mundo todo! Mas vamos falar do Brasil. Sabiam que o dia do tal do halloween, é o mesmo do Saci perere? E sabiam que, ao menos aqui em Campinas, chamávamos de oferta maluca o que agora virou black friday. Nós, os consumidores, povo, podemos ser mais nacionalistas sim, não de forma radical, mas valorizar o que é da região é de fato enriquecer o Brasil! Vamos continuar tentando ser livres, é bonito o povo brasileiro gente, temos uma vasta cultura sim, precisamos nos valorizar! abração ives vietro

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Uffa

Calor de 50 graus e precisava encontrar logo os fios que se romperam. A casa estava sem energia elétrica e todos esperavam pelo salvador da luz. "é preciso antes de mais nada entender o mapa dos fios" Sentado passei a meditar no emaranhados de condutores de cobre. O suor começou a invadir meus olhos, e como ardiam, meu deus, ninguém jamais entenderá. Mas não podia voltar, nem mesmo me acovardar, enfim, todos precisavam de mim. Quase cego tateei um dos fios que me levaram a uma conexão mal feita, segurei-a com força e perguntei com toda força de espírito ao anjo que me acompanhava se era aquela junção que estava causando dano ao sistema todo. Não sei explicar, mas recebi um sim intergaláctico. Cortei as pontas e refiz uma nova conexão. Quando ligaram os dijuntores, todos fizeram festa lá embaixo, e não sabiam do sofrimento que passei, nem mesmo do milagre que recebi! abraços ives vietro

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

imperfeito

em tempos de milhares de possibilidades de se fazer pesquisas rápidas na internet, o que fica charmoso é realmente a "imperfeição" né? uma menina linda de coração sincero esses dias me mostrou uma poesia, e que a chamou de a mais perfeita dela, poxa, como aquilo me emocionou. confesso que foi a principio que vi nos erros tanto charme que falaram tão mais alto a ponto de me emocionar. E era algo singelo, com a simplicidade da genialidade, e eu disse a verdade, que me sentia emocionado. a luta é ainda mais emocionante, vi num documentário que um padre que encomendou um trabalho de Michelangelo simplesmente esqueceu do gênio que ficou meses procurando o mármore ideal para o Davi . gostoso é ver a língua de fora, os olhos vidrados, o canto do amor no que se faz, beijos

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Sonho

Os mesmos olhos sublimes voltaram, agora são com estalos de beijos, que ela me deixa assustado. Já vai longe o fio da natureza, que traz sempre a certeza, das lantejoulas deixadas na cama. Brilho do inconsciente vestido de erros, tão certos que se fazem bailarinos: doces respostas dos tempos. A saudade como peso da dor, em níveis que não entendo o seu calor. Pois quem parte sem esse abraço é como Heathcliff ou Ana Karenina...! Desses lassos beijos noturnos, de laços beijos fugitivos, os universos a todos conduzem, as centelhas das luzes brandas, que querem florir e tornar o abajur florido. Então venha, alma das flores, rainha das orquídeas, amor das minhas rosas! abraços

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Proibido

A primeira vez que vi uma cena de sexo acreditei que se tratava de algo violento. Foi na casa de um conhecido que tinha o costume de alugar videos que descobri que aqueles gemidos frenéticos não faziam parte de uma dor, mas de um prazer até então desconhecido. Mas o impacto em mim do vídeo foi muito estranho; o homem em cima da mulher lembrava, realmente, uma luta qualquer. Com o tempo descobri que a mulher mais cuidadosa observa entre outras coisas se o parceiro não vai machuca-la naquele momento, se tem um temperamento ignorante, ou se respeita os limites dessa "luta". Meu amigo era viciado nessas imagens, e sei, que muitos homens e mulheres estão trocando a vida física pela virtual, o que me causa outro choque. Não sei onde li, que estamos entrando na era tecnologia, e que nela a geração de filhos será assexuada, ou seja, sem contato físico. Os homens, ou melhor, os adolescentes são os maiores usuários de viagra, pois têm diante deles a necessidade de ser perfeito na cama. A exigente mulher quer ir aos finalmente, claro, mas o homem não evoluiu para esta nova mulher. Falo ainda de uma minoria, mas não falta muito para acontecer o que os filósofos já previam, ou seja, a robotização de tudo, até do sexo. Aquela coisa mais violenta é uma característica do instinto que ainda esta incrustado no espírito do homem, não dá para simplesmente alisar a mulher como se fosse um souvenir que não podemos apertar, segurar, esmagar, quebrar rsrsrs É preciso liberdade para esse instinto mais selvagem, mas será que a nova mulher quer isso, será que é por isso que ela busca outra mulher para ter essa suavidade no sexo? Bem, são ideias que me ocorreram, o que vocês acham? abraços

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Sensual.

Estávamos sentados no fundo do ônibus meio vazio, quando uma linda mulher subiu com a leveza de uma garça os três degraus do circular. Num movimento sincronizado os cinco homens acompanhavam cada frestinha entre o corpo moreno e a saia de cetim amarelo claro da beldade. Não escapa nada, e um ventinho é sempre esperado nessas horas...! Talvez seja o instinto mesmo, mas algumas mulheres gostam de judiar da gente. Quando a Bela se virou para nós os quatro viraram o rosto, mas eu continuei a admira-la, pois seus rosto, olhos, boca, eram simplesmente encantadores. Pode-se dizer que dormi naquela beleza. Com uma carranca ela anunciou que não gostou, mas cruzou as pernas na direção dos cinco que voltaram com os movimentos sincronizados. Nessas horas somos mais companheiros do que se imagina, e ao piscar os olhos uns aos outros afirmamos que se tratava realmente não só de uma bela, mas de uma sensual e bela. O fato dela ser gordinha não alterava em nada os desejos que se tornaram suores. Ao se levantar para descer, a beldade virou-se para nós como se fosse dar uma bronca se acaso a olhássemos desfilar aquelas pernas, aquelas pernas lindas. Mas ela sabia que íamos olhar, tanto que depois não se importou de provocar ao levantar um dos pés para "apertar a fivela da sandália". E ao descer a sincronia foi ainda mais perfeita, pois lá da rua ela ofereceu nada mais nada menos que a medalha de ouro com um ousado sorriso de canto de boca! Abraços

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Algoz?

A aurora da paixão convidava à realidade o sonho ofegante do menino perdido entre as fadas abstraídas dos livros românticos e as notas singelas do piano que contundia ainda mais o imo sedento por asas. Foi uma menina de cabelos dourados que prendeu-lhe a respiração por alguns segundos imortalizados pela divina memória que sabe apreender o que convém a esta dimensão de românticos. O coração não foi descompassado, ele entrou na dimensão dos labirintos. Busca-se a luz num abismo florido; tornar-se tolo nos braços escolhidos? Ou vive-se desta seiva assustadora e mágica? Queria que se ajoelhasse nas próprias lágrimas e anunciasse aos ventos quem era o único a habitar tal morada esfacelada pelo jogo mordaz. De Cordelos de Laclos à Maquiavel, nenhum dos dois valeu a pena, os estilhaços não valem nada, e quando foram reunidos num coração tão dócil não fazia mais parte dele o “grandioso algoz”.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Geração frágil?

Lembro-me bem de quando eu e meus amigos cavucávamos a terra vermelha em busca do tesouro perdido. E lembro-me também de que ninguém roubava os nossos sonhos. Fazia bem ao organismo deixar penetrar as sujeiras sob a unha; fazia bem acreditar nas coisas. Todo ano esperávamos ansiosamente a chegada do verão para poder frequentar a piscina do clube. Voávamos planejando a noite, talvez uma festa na garagem com a meninas, talvez brincar de esconde-esconde com elas...! Encontrávamos algo curioso pelo caminho e a regra era acertar os peões naquilo até quebrar e quem quebrasse ficaria com a mais bonita da rua. Ahh como aprendi a perder. Ganhei também, e da mais simpática o meu primeiro beijo. Não havia internet, sou de uma geração da raça olho no olho, e vencia quem tivesse a melhor conversa. Um tinha um brinquedo mais caro, mas nunca deixava de brincar com a gente, de fazer questão de chamar a todos para ver o presente de final de ano; aos que não ganhavam nada dos pais fazíamos alguma surpresa: ninguém ficava sem sorrir no natal. Quando íamos viajar, se alguém não tinha dinheiro, podem crer que fazíamos uma vaquinha para o amigo acompanhar a gente. Bem, e o que tem a ver a minha pergunta que é tema do meu post? Gente, as crianças não brincam mais na terra, não há mais o tesouro perdido, roubam-lhas os sonhos. A supermãe esta sempre com as asas sobre o ninho, e se houver uma briga mudam o filho de escola. Os amiguinhos precisam apresentar o atestado de perfeito para entrar em casa desconhecida. Faz-se mil atividades, mas será que estão sorrindo? Basta um espirro e lá vão ao médico com medo de uma gripe, se vomitar então... Sei que é difícil. O mundo esta mais violento, não há duvidas. Não dá pra deixar muito os filhos se aventurarem no mato como fazíamos, mas dá pra deixa-los tocar a terra, sonhar com o tesouro perdido, perder com dignidade... abraços

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Tentando entender.

A grande parte dos jornais não explica a razão de informar o preço relativo do dolal, não é? Então, vamos lá. A maior parte dos produtos comercializados no mundo são cotados em dolar, assim como no Brasil. Então, os produtos sobem de preço e com isso diminui o consumo: ninguém quer comprar algo mais caro, e nem pode. Consequentemente cai a receita, o dinheiro que entra nos cofres públicos diminui também. Para atrair mais os investidores, o que é que o banco central faz? Sobe o juros!!!! Mas, só que desta vez não esta adiantando muito, a Srta Dilma não pode pagar as contas públicas, pois não tem credibilidade para honrar os investimentos. Está para ser aprovado ou não os ajustes fiscais, mas mesmo assim não adiantará por muito tempo. Enquanto o Brasil não tiver infraestrutura, mão-de-obra qualificada para competir com o mercado externo o país será sempre vítima das chamadas "crises". Agora, se a Dilma tem que sair ou não é uma outra questão, eu particularmente acho que sim, mas o país precisará de um governo sólido, que cumpra rigorosamente os compromissos, e que não seja corrupto, não é? abraços

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sensíveis.

Um homem sentado sob a marquise de uma loja de ar-condicionado respirava com dificuldade o ar quente e poluído da cidade em movimento. Um cartas tão frio quanto o ar que sai pelo aparelho refrigerador marcava o valor da sobrevivência: dois mil reais os modelos mais baratos. Certamente aquele homem esfolado não poderá comprar algo tão necessário para esses dias difíceis. Ele não oferecia risco aparentemente, mas as grades eletrônicas empurraram o pobre até fazê-lo cair na calçada. Veio-me à lembrança os senegaleses deixados na praia; alguns ainda vivos. Do lado de dentro está o todo poderoso, aquele que não tem a capacidade de julgar, de sensibilizar-se, eis o grande cancro da humanidade. As desigualdades são intolerantes. Mas dessa vez algo inusitado ocorreu, o homem de pés descalços levantou-se e ajoelhou-se, e ao pedir um copo de água, a grade eletrônica foi aberta e da loja saiu uma menina linda com um copo na mão. Sim e sim, há vontade no imo das pessoas. No fundo, e friamente, é o desejo de igualdade que revela o quanto um dia podemos estar na mesma situação do homem na sarjeta. Sim e sim, há pessoas com compaixão no coração, mas esses são os especiais. O que impera é o senso de justiça, e ao nos colocarmos na pele do sofredor sentimos o coração latejar, mas acabamos castrados pelo pudor social. Quem disse que o homem na rua merece um copo de água? Ajudar um delinquente? Mas gente, o ato em si gera outro ato em si e vira uma avalanche de luzes. É preciso ter fé. É preciso ter coragem e acima de tudo, entender que o planeta depende dos sensíveis para tocar no coração do Sr Frio. O delinquente da rua deve parar de roubar a sociedade, o delinquente da loja deve vender o que é justo, pois só o movimento da consciência pode garantir água, solidariedade e igualdade a um planeta tão desumano! Ives vietro

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Importante.

Tem alguém vendendo mais barato. Bem gente, acredito que uma das saídas para essa crise é ter o povo unido em filosofias inteligentes, que comumente caem no vulgo popular. "Pesquisar". As grandes marcas tem lá o seu valor, claro, mas estou me referindo a qualidade também. Muitas empresas novas estão fechando as portas por falta da velha filosofia que ensina que pesquisar é encontrar mais justiça. Chega de cem por cento, gente. Deixemos as empresas de grandes nomes, elas seguram o desenvolvimento natural de um país comprando toda a demanda e controlando os preços. Veja o cartel dos carros, dos supermercados, etc. Sempre tem um mercadinho no nosso bairro precisando de desenvolvimento, e desde que os proprietários sejam honestos, não ha nada mais importante para eles do que ouvirem uma boa crítica, e quem sabe assim aprendam a ajustar bem os preços. Há refrigerantes bons e brasileiros, biscoitos, sucos, etc. Vamos fazer o que os povos mais evoluídos fazem gente, ou seja, consumir o que é Nacional. Bem,meu sonho é utópico ainda, mas já vejo um leque de possibilidades sim! Acredito também que hajam muitos e muitos seres querendo trabalhar honestamente, só precisamos todos de nos dar esse empurrãozinho. ives vietro

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Crescimento

O fel da consciência racha a alma e verte o cristal molhado. Uma irmã, a irmã, doava sempre muitos presentes ao irmão recluso. Batia na porta de aço, e um sorriso raro estendia o objeto que representava o afetivo laço de sangue. O irmão sorria debochado, e nunca, nunca agradecia com um abraço apertado, ou com uma palavrinha mágica que pode sempre vir do coração. O tempo-escola passou, o irmão sozinho, no véu do quarto ouviu a canção que tocava no dia que recebeu mais um presente da irmã. Olhou sobre as prateleiras vazias e abriu as gavetas. Um cartão postal nunca lido traziam as seguintes letras “Não tive culpa”. Aos poucos o irmão foi colocando os objetos nas prateleiras e lembrando o quanto aquelas peças valiam. Eram singelas. A irmã podia doar-lhe mais, mas era com simplicidade que pedia um pouco de afetividade. O menino olhou ao espelho, e descobriu que na estrada há coisas que só ele poderia fazer por ele, e nada, ninguém tem culpa dos acontecimentos que partiram de uma escolha. No Caso, o menino mimado se fechou por um amor perdido, e fez um pedido a irmã que fazia tudo por ele, que tentasse reaver o seu amor. Ela não fez, e durou muito essa infantilidade, até a canção, que toca vinda da divindade, afetar o espelho dos olhos. O irmão olhou ao horizonte orvalhado que dizia: "sabia escola". Saiu correndo, comprou um cartão simples e escreveu: "perdão". Noutro dia, bateram na porta, era a irmã que sorria dizendo, cresceu irmão. ives vietro

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Josefina.

Josefina é translúcida, quando fala, articula um sorrido doce no canto da boca. Simpática na essência, tanto que alguns confundem com encantos do amor íntimo, profundo, que partilha a cama, o mundo. O Sr. da esquina, solitário de causar pena, avistava Josefina, e correspondia o sorriso grácil, cheio de ternura por parte da mulher. Mas o homem, aos poucos, encantou-se com a leveza do espirito de Josefina. Tanto que um dia ultrapassou os limites do respeito. Josefina nunca mais falou com o sujeito, nem ao menos o olhou de perto. ahh mas não julgo o solitário, muitos caem de encantos com os seres encantadores, ainda mais nos dias atuais, quando o Ser humano é uma ilha. ives vietro

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Caminho da Luz.

O foco na luz traz das vozes circunspectas apenas o melhor. Não se encontra, mesmo que haja, as magoas veladas. Uma fagulha ou outra, traz lampejos perniciosos nos ouvidos, que logo esquecem e oferecem espaço aos sabiás. O foco é o trabalho que se enriquece no caminho, que se esquece nas águas reconhecidas como evoluídas, e que levam consigo os raros e suaves cantos positivos! Ives vietro

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Cristal.

Resvalo na essência do cristal
ao chorar e ver a forma da luz
refletida além da letra vestida

Nu o olhar clama entre a natureza
ouvir da flor a voz do arcanjo
num pouco do silêncio da alma.

Ao tocar a face de rugas elegantes
a lágrima decorou de lembranças
milhares de signos desconhecidos

ives vietro

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Noite

A noite mostra os seus monstros
De pés gelados e boca seca de fome.
É um cão, um homem solitário.
São transeuntes anônimos curiosos
todos com fome de Verbo!

ives vietro

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Despedidas...

tripudiava o ego embevecido
com dedos na fronte pálida
e dedos sobre os olhos tristes.

ahh você encontrará alguém melhor

qual dos alados instantes ficam
para escrever de lágrimas o livro?

qual dos poemas é o mais profundo?
os que partem no voo da solidão
ou os que ficam com seu coração na mão ?

ives vietro

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Soberba.

O anjo escondeu o poema
Que a soberba disse ser o meu
Sábio, o anjo respondeu:
É nossa a partilha do verbo,
Das pessoas que buscam o coração.

Na treva do quarto iluminado
Não via a letra que havia tocado
Como num choro a minha visão.

Relutante afundei-me na lembrança
Que na Terra eu não era nada não,
Apenas levava o poema
Quando o anjo queria
também em MEU CORAÇÃO

Ives vietro

terça-feira, 30 de junho de 2015

Encontros, desencontros.

Um encontro uma letra
Uma festa um poema
No lastro o equilíbrio
nas flechas românticas

Sem amor, sem abraço
Com Regras e não ver
O coração atingido
quem sabe tingido,
magoado, entristecido

a Moral como pó "voou"
escreveu de lantejoulas
no vidro dos olhos
as frases não faladas
os abraços "esquecidos"

Como dois balões soltos dos braços
desfilam na estratosfera,
a leveza de solta-los
germina-los vidros ataviados
em cores celestemente

azuladas

ives vietro

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Aranha

Oh, teço como a aranha
Uma armadilha de estrelas
para capturar a luz
que emana-se dos seu olhos

Empalo as suas imagens
para que em noites doridas
minhas lágrimas não rebentem
as linhas finas da minha razão
ives vietro

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Quarenta Anos.

Rua de quarenta Pedras
jardins na orla do Tempo...
Serenas Flores colorem a pele
De vestígios do porvir...

Será Revestida de madrepérola
Rija como o Sulco da Beleza
Estampada no rio Da face,
Ruga da Estátua Risonha...

Vaticínio em Lumes Dispersos
Atraídos Num Nascer do Sol,
Ante o Azul que reveste o mar,
E o espelho do nosso horizonte.

ives vietro

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sol

Sim,
Já nasceu,
Na orbita do sol
O meu olhar extasiado.

Seria,
Se não fosse, o milagre,
Um acontecimento qualquer...

Mas,
Na luz que me fende,
a Doce Manhã,
Mergulhou no meu olhar.

ives vietro

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Amigo

Arrependo-me de ter sido da estrada perdida o louco alucinado atrás do delírio que a bebida causava. O torpor, não tão efêmero, escondia uma floresta de sentimentos transbordando pelos olhos. O egoísmo do homem impede o amor de transbordar , de fazê-lo falar, sobre a causa do distanciamento. Sim, companheiro, falou o seu coração amigo. Não sou o bom samaritano, mas tenho nas veias a vontade de dividir o vaso de flores que escapam dos momentos difícil, quando não encontramos amigo mais precioso do que nós mesmos. As drogas podem vencer sem a ponte, é bom que saibas companheiro. O caminho do amor encontra-se ai pertinho, mas não digo que é fácil, pois sou outra vítima desta infelicidade, desta falta de amor. Mergulhei nas drogas muito cedo, não tenho como culpar o mundo pela minha escolha, e foi somente com a mão do amor que voltei a brilhar. Elogio, incentivo, ajuda? Será raro, mas aos poucos que o buscar, reconheça: são os anjos. Talvez encontre na família se houver, e se o seu coração for realmente grande, como diz que é quando entorpecido, assim será de cara limpa. Já sinto germinar em nós, amigo, a semente da estrada florida, porque na perdida, acredite, não há nada lá. As festas nos convidam a beber, os sorrisos de nosso estado, embriagados, convidam-nos ainda mais para o fundo da ponte. Afaste-se de quem acha engraçado a sua embriaguês, desligue a TV, e deixe os seus amigos que bebem. Busque o que gosta de fazer, se entregue forte, se ame, e lembrem-se, Deus está com você, ele é o criador do milagre do amor. Eu? Ofereço esse singelo documento, quem sabe na estrada perdida você possa olhar as flores que a cercam. E olha, dizer eu te amo de cara limpa é infinitamente verdadeiro, então se olhe no espelho, agora, e sorria a este grande companheiro. Ives vietro

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Menino

Balançava sobre o Rio, numa sede de lembranças, O menino cansado da Sociedade, À vontade, "livre", no agreste campo de orvalho, suspirava e aspirava vivenciar as flores das borboletas. A lã verde do seu peito tecido por um coração vermelho, grandioso, tocava os dedos da Santa mãe que vinha além pousar a silenciosa paz. Ohh milagre de paz...! Entre as folhas, a escassa natureza do Ser, não se solta mais na vontade que lhe apraz. E a cada por-do-sol, sinto mais e mais, a pele presa, num curto lampejo de cílios. Mas o menino mergulhava nas ondas da adolescência livre, quando nadava livre em Rios despoluídos, e praticava esporte em praças, com a vontade pulsando a plenos pulmões. Quanto ao horário, em dias de atraso, a mamãe sabia que o menino estava praticando alguma arte, e até deixava um pouquinho...a arte se foi faz tempo, o que se pratica hoje é o dever. A menina de tranças soltava-se em vontade também. Permitidos beijinhos perigosos eram os melhores. A lã verde do agasalho único aquecia tanto nas tardes de sábado. Ouvir uma canção na vitrolinha velha infinitamente melhor que qualquer CD. O cinema era fenomenal. Nostalgia ou a impossibilidade é o que alça a vontade, a curiosidade? Um ventinho perfumado recordava ao menino a fragrância da menina que corria no mesmo descampado atras da bola de volei...! O menino na rede, a cada dia torna-se mais fechado. Hoje só brinca recluso, e seu sorriso amarelo revela a tristeza. É preciso fechar as janelas, escolher bem os canais de TV, e ai se falar algo que não pode...a coisa ta feia, as piadas o menino não conta mais, esta fechado. O que fazer com o menino?

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A grande diferença.

O que fazer quando se tem a memória tão ampla que engloba ainda a ação em que fez parte determinada pessoa e por não se lembrar mais do ocorrido, simplesmente acredita que não existiu o que dizemos? Muitas vezes é sofrido ter um foco que oscila , mas dentro de um campo muito mais reto que os seres completamente perdidos numa escala social tão perdida quanto eles. Eu, como alguns afins, não seguimos as convenções pragmáticas, e meio que subversivos vemos os "normais" desfilarem suas carrancas sofridas. Dia desses uma menina muito feia espiritualmente, passou por mim mendigando o meu cumprimento. Conversando mais tarde com o mestre que sempre falo em meus textos, chegamos à conclusão que agi de forma certa. A menina, quando desfrutava o "status" de casada, mal sentia a minha presença, e após a separação viu-se em apuros financeiros, e não teve outra saída a não ser vender esfirras. Quando ela implorou o meu oi, na verdade queria ampliar sua freguesia. A minha resposta foi a mesma carranca que os "sociáveis" apresentam para quem não serve ao mesmo ideal. Mas não sou radical. Pelo contrário, sou até muito complacente por saber da amplitude, da instabilidade...! Ela acercou-se da minha turma de afins, descobriu que não somos subversivos, e que temos um potencial de ajuda-la que a faz emocionar-se quando lembra dos julgamentos. Assim acontece muito na internet, com mulheres que já são inseguras e partem a nossa amizade ao primeiro namorado que encontram. Diferente das Grandes mulheres, seguras, maduras, que têm a liberdade de se relacionarem, e em nome da amizade são fieis, estáveis. Lógico que vai acabar o "namoro" da menina, a máscara é muito fina, a menina é insegura, egoísta...não nasceu para o amor...que requer a liberdade de sermos o que somos, e fazer sempre o que fazemos, livres! abraços ives vietro

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Viagem.

As ciências são cartas de um baralho infinito...! A psicologia, a física, filosofia, biologia...! Afinal , tudo esta no mesmo cesto azul, na palma de Einstein, na concha do universo. No papo louco De Bar, sabemos que os passos desses gigantes são raros, mas desaguam em outras fontes , e formam assim um rio de prata. E a música? As escalas, o pentagrama, tudo harmoniosamente elaborado por quem tem nas mãos o talento de tocar com a alma o corpo fluído. E sinto-me gigante na carapuça instantânea que me atira à esse universo plenamente movimentado. Sinto-me como no filme de stanley kubrick, que defere um golpe mordaz no final, que é o incio, o nascimento do ser, sempre, num remar constante Nietzschiano. No papo do bar que me serve da bebida da curiosidade é um amigo muito perspicaz, que não perdeu a razão, quando perdeu todo o dinheiro, vil dinheiro. Esse nome que nos serve, não serve de identidade, somos duas pessoas conjecturando as possibilidades. Enraizado na forma pragmática sociável, em relações seguras, num mundo de animais, buscando a liberdade como fim comum. Chegamos a conclusão que o bem, nasce da preocupação com o próprio bem, já que angariamos tanto esse espaço raro da paz. Talvez num mundo de paz conseguiremos confraternizar os ganhos realmente salutares. A arte é uma das molas propulsoras do desenvolvimento, é a loucura que foge da alinhamento. É a filosofia quebrando conceitos, parâmetros. O meu amigo, "astronauta de mármore", recebe na casa dele um Religioso, e os dois conversam horas e horas, e a cada qual a carta certa volta ao baralho da essência maior. Há mentes que acoplam o todo do ser, em um cérebro aberto à divindade, pois essa não é excluída, já que os passos, não mais misteriosos são dados desde tenra idade, quando muitos nem mesmo ouviram a velha ciência falar. Na arte nasce a centelha luminosa, e eclode-se em raios de Mozart, nos traços de Da Vinci, no código de ouro, e enfim, na simplicidade da beleza, que da natureza, nós copiamos e redescobrimos a perfeição! ives vietro

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O formigueiro.

Estou postando quase todos os dias, mais para superar a falta de alguns parentes que viajaram e deixaram-me com a Luna(cadelinha), e o Jonny(calopsita). Escrever me faz bem, e desta vez vou escrever sobre algo "trágico" que ocorreu hoje. As pessoas que me acompanham de longa data sabem que vez por outra posto algo mais cômico, mas desta fez a coisa foi feia! O meu vizinho que mexe com ervas medicinais bateu na minha porta e pediu-me "urucum": Nem sei se é assim que escreve, mas tenho uma árvore da semente em uma das minhas propriedades. "Claro Seu João". Peguei a chave e fomos lá em busca da semente. Antes de continuar, só que queria salientar que tenho amizade há muito tempo com o Seu João, e graças a ele eu me curei de muitas coisinhas que vão acontecendo com a gente. Mas as vezes os tratamentos são inusitados. Já aconteceu de eu ficar três dias com babosa na cabeça, outra vez ele me esfregou tanta arnica nas pernas que quase fiquei sem pelo algum, e quem entrasse naquela hora acharia no mínimo duas coisas, que éramos gays, ou tínhamos pirado mesmo. Mas eu com ele temos a famosa troca, sabem como é? Faço uma gentileza e ele retribui com esses tratamentos. Então, fomos lá pegar o urucum...! Quando ele viu o pé carregado da semente já começou a cantar, "Eba , Eba , Eba". E completou dizendo: "Vou pegar tudo"! Enquanto ele continuava cantando fui pegar um saquinho né, quando voltei avistei uma cena incomum. Como no filme Matrix, sabem? em câmera lenta o Seu João ia pousando o pé sobre o meu formigueiro. Meu formigueiro ? Sim. Nem toco em formigueiro, por acreditar que são residências como as nossas, só que em escalas menores, deixa pra lá! Eu não consegui avisar, fiquei paralisado pela tragédia. E o pé do Seu João afundou-se gostoso nas lava-pés, pobrezinhas. Ele me olhou com aquela cara de maluco, e perguntou o que eu queria. "Nada" . Bem, sem saber o que fazer, e meio aturdido acabei dando a sacola para ele e sai vazado. Lá de longe só ouvia os ruídos dos sapatos sendo tirados, da calça e quase que a cueca. Ele me disse que não tinha problema, que as picadas até faziam bem. Confesso que cheguei a rir na cara dele, mas ele é esportivo, e levou na risada também. Quando nos despedimos ele pediu para eu passar lá qualquer dia que ia esfregar urucum na minha testa. Respondi que tudo bem, e quem sabe até tire uma foto todo avermelhado! abraços ives vietro

terça-feira, 12 de maio de 2015

Refletindo.

Vi uma reportagem neste final de semana que me deixou um pouco intrigado. A reportagem tinha como alvo o vício causado, supostamente, pela universo virtual. Mas, acreditando que a verdade deve ser antes de mais nada, retirada da sua posição originária, observada de forma mais meticulosa, e aí sim seguir adiante com uma nova convicção. Pensem na minha ideia, não como conceito universal, mas como algo singelo que parte de um ponto em busca de outro ponto. Vivemos um esfriamento total. As pessoas a cada dia estão mais voltadas à perfeição, e dentro desta pseudo-perfeição, a dor, o sofrimento, e enfim, os sentimentos estão sendo engolidos por uma bolha falsa. Até mesmo os textos que serviriam de utilidade pública estão sendo vencidos pela fantasia: vejam só o sucesso desse filmes de vampiros, monstros, heróis, etc. é claro que há o desejo pela arte, mas também há um recrudescimento visível do ser humano, que tende a fugir do "Cult", por não suportarem mais a frieza dessa suposta intelectualidade. Haja vista que muitos não chegarão a conhecer um Allan Edgar Poe, que trás da fantasia muito material para os seus contos, mas com uma profundidade de conhecimentos filosóficos tão amplos, que muitos são incapazes de alcança-los. Bem, tirando as exceções, a arte entra em declínio, ou parte para um observador menos exigente. E o que tem a ver tudo isso com o fato de as pessoas estarem não viciadas, e sim inserida numa fantasia que as fazem a cada dia mais distantes do coração? A internet é a ponte, segundo a minha ideia. Num mundo de carências gigantescas, onde nem mesmo um abraço de amor pode ser dado sem causar preconceito, e nem os seres livres podem escolher o caminho a seguirem, a internet afina os meus amigos, e com eles avanço sobre essa frieza do momento. Tento romper com poesia essa bolha triste que se forma tão longe de nós, humanos. Não, não acredito no vício. O que há é a busca pelo calor. A reportagem toma o efeito como causa, ou seja, o "vício" seria o efeito do uso da internet, e não como causa desta solidão interna! A internet usada de forma inteligente, é uma extraordinária ferramente, ferramenta que faz chegar até vocês essa minha ideia, e muitas outras que tentam barrar um pouco este mundo "perfeito".O que acham? abraços Ives vietro

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Primeiras orquídeas.

Eu era extremamente inocente em relação a Dama de olhos vorazes à minha frente, ao menos na arte do sexo. Ela me beijava profundamente numa idade em que nem gostava daquela língua roçando os meus dentes. Minhas mãos à deriva tentavam antes de mais nada mostrarem algum talento, mas o máximo que faziam eram arrancar alguns sussurros de dor da Mulher. Repentinamente ela puxou a minha mão direita sobre o seu peito e disse: "aproveita bobinho". Não sabia se íamos para os finalmentes ou aquilo acabaria como sempre acabava, com a sensação da curiosidade não revelada, pois ainda não conhecia nada sobre os calores internos das mulheres. Estávamos escondidos numa construção abandonada, e entre os sussurros tentava ouvir algum passo que poderia interromper o meu eflúvio de desejo. Não sei que magia fez-me estremecer. Mesmo com alguns resquícios de timidez não podia deixar a mesma bloquear a oportunidade clara que a madura e bela mulher me oferecia. Ahhhhh foi a primeira vez que senti o aroma peculiar, que só depois, mais tarde, com outras relações é que saberia se tratar do aroma da orquídea roseada...! Foi ela morder o meu pescoço e encontrei enfim um lugar bem apropriado para pousar a mão direita. Sem saber como fazer ao certo apalpei a orquídea molhada, que mesmo sobre a calça exalava-se em calor. Ela fungou profundamente no meu ouvido e fez acender algum sininho escondido, e disse com os olhos o caminho do mel. Diferente de muitas bruxas essa era esperta, e com alguns movimentos rápidos já nos protegia das doenças e de uma possível gravidez. E até hoje acho que são as mulheres quem devem fazer essa magia rápida, porque todo homem tem dificuldade com a pausa, e não pode haver pausa. Lógico que eu sabia a qual caminho percorrer, o difícil seria conter a ansiedade se a mulher inesquecível não tivesse o dom de se posicionar perfeitamente... E foi com um calor inigualável que pude mergulhar naquele pode de doce. A Dama sabia que eu seria dela a vida toda, e realizou o meu desejo com requintes apaixonados. Hoje fico imaginando a perfeição do momento. Sei de muitos homens que passaram a vida traumatizados sexualmente. Que não se entregaram por tola pudicícia nas mãos de uma mulher igual a minha, que mesmo distante não posso deixar de agradecer-lhe o momento, afinal , ela mostrou para mim o quanto pode ser prazeroso o sexo tendo do medo apenas mais um ingrediente! Que bom que ninguém nos viu! Abraços Ives vietro

domingo, 10 de maio de 2015

Mãe.

Procura-se longe o milagre, e esta tão perto. Nos olhos da alma, na fimbra da canção. Mãe é a razão, é o amor e a poesia! Tão gigante é a força do parto, numa dor que só a mulher suporta. O sentimento é além das palavras, além da compreensão, além da razão, e até além desta jornada. É um amor simples, como tudo que é poderoso. Seu abraço é muito caloroso, cheiroso, iluminado! No pensamento, na luz da manhã, mãe é eterna, e sua ponte liga, e nos liga a um mundo de milagres tão próximos! Felicidades , mamães!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Podemos sentir.

Epicentro Sentido

Orla do olhar espelhado,
pulso do brilho etéreo.
Esconde-se a inocência,
Em curtos gestos falsos.
O abalo paradoxal
Em paroxismo ululou
A verdade rubra na face.
Nas mãos do poeta Doce
Os veios não são assim...
Revelados aos quatros céus.
Há silêncio no respeito,
Espera paciente destemida
A voz única da vibração,
em equidade com o tom,
o luar do coração...!

ives vietro

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Porque alguns casamentos acabam.

Esses dias fui à casa de um amigo de longa data para jogarmos xadrez. Depois do seu casamento, meu amigo pediu-me um tempo, pois precisava por a casa em ordem e viver a lua-de-mel. Ficamos algum tempo sem jogar o nosso xadrez, coisa que adoramos fazer desde adolescentes, e nos privamos de jogar quando um ou outro pede o tão necessário tempinho. Mas um dia, ele convidou-me mesmo com a sua Senhora em casa. Eu perguntei alegre se realmente estávamos com tempo para jogar, ao que ele respondeu: "vem logo marreco". Chegando lá, o tabuleiro já estava armado, mas a Senhora apresentava uma leve carranca. Meu amigo muito sensível tratou logo de me receber bem, e pediu a esposa para fazer-nos uma limonada. E assim, começamos a jogar. Mas gente do céu, a cada cinco minutos a mulher vinha e dizia "Bebe, você quer mais limonada", depois "Bebe, vamos ao shopping", "Bebe, você não vai lavar o carro"? Eu que conheço esse amigo de longa data já estava achando estranho o seu silêncio. Numa das ida da esposa ele me disse aos sussurros "não aguento mais Ives, não tenho espaço". Na ultima vez que a esposa chegou e disse: Bebe, e ia completar, quando o meu amigo se levantou e explodiu. SUA PORCA IMUNDA, ME DEIXA JOGAR, QUE EU TE FALEI QUE IA FICAR JOGANDO A TARDE E A NOITE TODA CARALHO. Não fiquei sem graça, pelo contrário, achei que estava demorando para o meu amigo entrar em ação...! Bem gente, a falta de espaço é o que pesa muito. Não acho bacana explodir assim, mas eu mesmo não poderia fazer nada, né? Esse meu amigo já esta se separando, ninguém suporta o sufocamento que uma das partes sempre acaba exercendo sobre a outra. Não sei onde ouvi, que amor é liberdade, e olha, garante muito mais um bom relacionamento. ives vietro

terça-feira, 21 de abril de 2015

Sonho.

Eu tenho uma dívida com o passado, e o Querubim, numa nota sonhada, trouxe à tona o vaso de lembranças. Algumas flores são multicoloridas e aromatizadas pelas doces cerejeiras cujos galhos representaram a alcova do tempo; outras flores, plúmbeas e inodoras, ferem como espinhos na consciência, e quando é no sonho que o anjo destila o cenário das pegadas perdidas, a sensação volta exatamente como fora no dia do domingo gelado, quando fui à casa da minha amada tentar resolver, e a envolver mais uma vez num novelo de cores. E justamente por acabar de voltar deste sonho místico é que desfaço este rolo hermético, em frases que me desprendem das celas tristes. Ainda com os resquícios da esfera dos Sonhos, minha memória pulsa como uma orquídea reveladora, e não me deixará enquanto na expurgar em versos singelos o que me aprisiona. Então o sonho me levou à tarde de domingo chuvoso em que eu deveria saldar uma dívida antiga, dos tempos que namorei uma jovem muito bonita de rosto pálido que perdera a mãe ha pouco tempo. Estávamos planejando o casamento, e no meu imóvel simples, ela fez alguns investimentos a tornar a pobre casinha um lugar confortável. E diante do medo de perder a liberdade, não pude evitar o afastamento repentino daquela que seria, no mínimo, uma grande poesia florida na minha estrada, e agora, não passa desta massa cinzenta cheia de espinhos. Se eu fosse computar o valor total da minha dívida, com juros, daria algo em torno de uns seis mil reais. Era um dinheiro razoável a quem se via desnuda de proteção e na alvorada de uma sobrevida distante da mãe. Doei-lhe força. Fomos visitar a cidade linda, em tempos que os cristais ainda reluziam de paixão aos olhos sombreados pelas dores. Depois de um ano fizemos os planos e os colocamos em andamento. Construímos um muro, algumas paredes, e um quarto simples sem telhado, era o que dava com os escassos recursos. Mas em meio a tantos labirintos, com o único apoio distante de casa, a minha sensibilidade passou a erigir a antena da proteção quando o pai da menina pálida falava sobre os bens “efêmeros”, os quais eu nunca dei valor algum. “Posso morar numa cabana”, dizia inocentemente ao velhaco que sem dúvida influiria na cabeça da filha. E o instinto de proteção me afastava a cada dia mais daquilo que seria a luz dos jardins. Passei a frequentar os bares da vizinhança, e só chegava à casa da Amada quando anoitecia. Completamente embriagado deitava e desmaiava na cama que era exatamente da mãe da menina que andava um pouco alegrinha pelos últimos planos esperançosos. Saíamos ao anoitecer pelas ruas e avenidas, pelas igrejas e bosques secretos, e não voltávamos sem um pouco daquele sorriso necessário para continuar sobrevoando as luas prateadas e apaixonadas, mas de cheias foram minguando, até chegar o derradeiro instante quando não pude impedir o afastamento de vez. Em prantos ajoelhei-me no alpendre de sua casa, e desculpei-me por tamanho disparate, o de não poder controlar as minhas vontades e até mesmo escapar e viajar a outras cidades em busca daquela fuga que se encontra nos braços de outras “bondades”. Todas essas sensações estavam apagadas, e novamente, o anjo me levou à mesma morada. Eu levava um pacote de dinheiro embaixo do braço. Doaria e tentaria reaver aquele beijo. Quando lá cheguei avistei o velho pai tomando conta dos negócios. Era uma lojinha num cubículo que abriram. Talvez estivessem escondendo de mim alguns planos audaciosos para a família, e me deixaram de fora por falta de dinheiro. Mas a verdade é que a minha amada apareceu com outro, e aí meu coração sangrou de verdade. A florzinha que carregava e doaria ao ar da felicidade escondi dos olhos dos dois que passaram por mim para evitarem o constrangimento. Porém a Irma da Amada abraçou-me com a força da saudade, e beijou-me e pediu-me para seguir o meu caminho, “Aqui você teve a sua linda história, mesmo que por um tempo encurtado”. Ao olhar no alto da estrada a minha amada não podia ver as lágrimas que vertiam os cristais. Quando voltei, ainda há pouco, senti que algumas janelas se fecham realmente, mas se abrem por algum motivo. Não estão totalmente seladas. Os resquícios e os beijos lembrados são arte de uma natureza desconhecida. Posso sentir os espinhos arranhando, mas estou em outra esfera de luz, aguardando o momento de ser melhor, mesmo que um dia o sonho me acorde dizendo novamente que tenho que ser melhor, e ser melhor, e ser melhor...! Ives vietro

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Livre.

Odeio rótulos
Não gosto de Nomes,
Não sou homem,
nem mulher,
nem gay...

Não gosto de ostentações,
Não suporto elogios,
apesar de conviver com eles...

Sou o plasma
A energia que se agrupa
com o polén da abelha que cresce no fundo da colmeia...

Amo o que me cerca
e me cerco de flores,
apesar de conviver com espinhos.

Amo e odeio
Não sou bonito ou feio
Nem digo que amo
quando deixo, companheiros...

Prefiro o Tempo como laço
e a se a cada dia mais escasso,
mais forte é a força do abraço.

ives vietro

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Crise.

É na crise que o povo precisa se unir mais. Estamos diante de um caos no Brasil, muitos desempregos deixam os pais preocupadíssimos com o futuro dos filhos. Nenhum partido político presta, por isso o que precisa mudar é a mentalidade da nação. É preciso evoluir dando valor ao que é brasileiro de fato. Shopping? Gente, só para refletir, o que tem de brasileiro num shopping? Consumir de forma inteligente é a grande ferramenta de um país que não tem Governo. E ajudar-se mutuamente, né gente! Como? Comprando a trufinha da mulher que ta passando fome em vez de comprar a barra de chocolate da multinacional, entende; é o cara da esquina que vende umas laranjas boas, e que por não passarem por mais um rato-intermediário acabam custando mais barato. E quanto as grandes marcas envolvidas em escândalos, assim como os bancos , etc... Não é preciso recorrermos aos pensadores para entender que o corpo social, unido, faz a diferença, seja na democracia, no comunismo, etc, não importa. Abraços

terça-feira, 14 de abril de 2015

Humildade.

O que é a humildade? As palavras sedimentam, muitas vezes, sentidos que não afloram além do que podem representar. Tenho como referencia para a humildade grandes pensadores e poetas, que possuem a virtude de calar-se, e deixar apenas aos leitores o direito de enaltece-los. Ficam entre todos, e muitas vezes nos surpreendemos que aquele que esta naquele "lugarzinho" seja exatamente o Grande artista. É uma pessoa comum. Agora, tem também aquele que gosta de vangloriar-se, por deter o talento; não gosta de imiscuir-se em qualquer lugar, e ter acesso até ele é um verdadeiro tormento. São arrogantes, aparentemente nada humildes, mas quem sabe do seus mundos já que são impenetráveis, né? Agora, depois de conversar com muitas pessoas, chegamos à conclusão que, o feio, ou o descompasso com a própria personalidade pode causar muito sofrimento a si. É "perdoável" ver alguém, que é "metido" mas que assume e não tem nenhum problema com isso. Mas quando a pessoa assume a humildade sem ser humilde, aí fica extremamente visível, porque a humildade é uma rara virtude: esta nos olhos, na maneira branda, no silencio, não? abraços

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Pensando...

Escrevendo como penso...é que acabei de ler um bom livro, e o que me ocorre agora são as indagações do exímio gênio que marcou o nome na história. Refiro-me a Rousseau. Estamos(digo estamos porque acredito que o espirito de quem leio paira sobre as minhas ideias)numa passagem no mínimo muito interessante, e diferente daqueles que creem no ateísmo de alguns filósofos, e que não tiveram a possibilidade de terem às mãos um livro de tão elevado valor, não sabem que pela via contrária, estão alguns que considero não apenas pensadores, mas iluminados também. Chegamos a seguinte pergunta: "O homem é bom ou ruim"? Na condição de natural a essência do homem é boa, e a maldade só nasceu com o inicio das diferenças. Rousseau deixa como legado, que o inicio das diferenças começou quando o homem começou a disputar as terras, quando os mais hábeis puderam suplantar os mais fracos. Assim nasceram as leis, que de certa forma davam aos Senhores o direito sobre o vassalo, sobre o bruto que não desenvolveu a arte de raciocinar. Bem, não vou divagar muito nisso, porque daria um outro livro. Mas só quero terminar dizendo, que em meio a tanto caos, encontrei-me neste final de semana de pascoa com um homem de noventa e oito anos que me disse que aprendeu o seu oficio na estrada de ferro. Gente, como sabeis, amo poesia, e não pude deixar de me emocionar quando o pai do homem quase centenário abriu uma agenda e mostrou poesias; muitas poesias: alguns sonetos. Mas com o devido respeito, não posso mostra-los, nem mesmo foi permitido tirar fotos, nem do Chiquinho, nem do filho, meu muito amigo, Ari. E que tem a ver, né gente, o que falei de Rousseau e a história dos meus amigos. Tem que dentro da escala de desenvolvimento algumas almas ainda respiram o ar azul celeste, que possuem a natureza bela, e que viajam nesta esfera com o coração. Pessoas boas, e que mesmo com as pernas falhando não deixam de doar sorrisos, e contar histórias engraçadas. São seres assim, celestes, que mantem o azul nas águas dos mares. Não falemos das atrocidades. Falemos das bondades, das raridades, do ser humano além, que pode sobressair. Ainda não terminei de ler o pensador, mas sei que no final o sábio homem falará de pessoas assim, iluminadas, com o dom divino de ser luz! abraços

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Trilho.

Não tenho do tom o conselho.
Cada passo com o seu espelho.
Calo-me no circunspeto brilho.
Tateando na Terra o meu trilho.

Foco em mim a razão e os sentidos
Ou na preceptora Voz de Mãe,
Melíflua e muito mais sábia
que as vãs palavras dos perdidos

O norte é a luz da fimbra silenciosa
Humilde antes de conjecturar
diante de um universo tão singular

E do berço ao porvir, não sei ouvir
além dos meus ecos descompassados
com o piano raro da minha essência

ives vietro

quarta-feira, 25 de março de 2015

Sentidos.

Sob os olhos do medíocre poema o eclipse se consagrou
ao ser embelezado pela vertente acima da capacidade humada de ouvir.

A beleza é uma estrela de cinco pontas
de cinco pontes aos sentidos atentos...
Tem na mão o calo da ousadia de tocar
tem nos olhos a força da magia
tem das rosas o aroma da fantasia
tem das canções o Noturno de Chopin
tem do paladar o beijo de afeto

na noite enluara
jardinada
fantasiada
dançarina
os sabores do universo

ives vietro

E ao ser traduzido ao olhar da bela que deixou
a lua tocar o meu olhar, com a luz do sol.
Então o Eclipse total:

A pulcritude é uma cintila de cinco bicos
De cinco mediadores aos vividos cuidadosos...
Possui na garra o endurecimento da audácia de tatear
Possui na visão a possança da prestidigitação
Possui das rosas a fragrância da utopia
Possui das árias o Noctívago de Chopin
Possui do palato o ósculo de afeiçoado

Na escuridão da claridade da lua
Noctambulada
Devaneada
Bailarina
As gustações do cosmo

Ana Júlia Machado

segunda-feira, 16 de março de 2015

Criança.

Palavras como bordados livres.
Como criança ao pintar o vazio
e colorir a si num instante de entrega.

Sem celas ou amarras, mordendo a língua,
num espasmo de concentração, à não deixar
vazar o que pode danificar a poesia.

Admirada à distância ,a obra desprendida
e apreendida em formas expressivas
em linhas prazerosas e coloridas
com a intenção única de saborear o momento.
ives vietro

quinta-feira, 5 de março de 2015

Humildade.

Sem perder a essência
com frases silenciosas
no imo das fases estrelares
a bela beija docemente
a boca única da humildade

Estuca de energias o ar
num lance o olho do mar
Enfuna o peito de versos
silentes que alcançam o mar
de um ponto EU sobre o ar

daqui da essência em poro
dali a estrela e a ponte luz
até a via-láctea transbordar
de coração azul-Terra do lar
de canção azul única de ninar

ives vietro

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Provinciana.

provinciana solitária
seus becos e atalhos secos
inspiram na rede o universo

triste água que não cai
mas perfura a alma da gente
sentada na beira da estrada
a minha amada solitária

se os seus olhos percorrem
os detalhes da folha triste
deixe que a gota inspirada
molhe a fronte com o brilho
cálido da mãe natureza

ives vietro

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

divagações

Fundo raso
ermo em divagações
Há um rastro seguindo os dedos, (no ar)
Sinais da lousa próxima
no fio na lâmina tênue
Foto, da fotografia em dias lentos
Acreditando em grande talento
sem beber a água livre, fortuita
Do menino rico que não registrou
as doações, nem cobra, por ser rico, sem dinheiro algum;
diga-se bem a maldade esta também na lousa que segue,
os dedos
Gesso da memória, estatua banhada com o fino da mulher
Gestos da vanglória branca, que doa por doar, já que esquecido esta
ives vietro

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Aparente beleza.

Em viagem contínua
num ir e vir constante
as ondas levam o que
o cotidiano traz de volta:

Isolamento da imperfeição

Pedidos à mãe azul cansada
doa árvores aos milhares
doa amor e outros milagres
a um cotidiano que a devora

a aparente beleza é cruel
os pés descalços verdadeiros
não roubam a natureza

Há mais beleza na imperfeição
aparente e cheia de desilusão
E não apenas sorri ao que gira
Seca, Terra cheia de erosão
ives vietro

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Indelével.

Sacou a marca indelével ?
Após seduzir e deixar e fugir
Saudosas pegadas, na pele.

Achei continuidade na onda que partiu
deixou continuidade em níveis saudosos
Sei e sinto seus olhos sorrindo

Também acho graça, leveza e beleza
ser o abandonado nem tão abandonado
tem a sua marca cheirosa na memória

Ives vietro

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sopros quentes.

Rebuscadas frases soltas
coligidas nas noites frias.
Insolentes sopros quentes.

Sem as regras, as réguas,
Os meus lírios, vermelhos,
já nasceram desprendidos.

Pois não quero, nem preciso
ler nos livros, as mesmas celas
se prefiro, as luzes, das noites.

ives vietro

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Essência.

A essência da flor,
da semente colhida
Sem as folhas, ainda...

Germinou esquecida,
Na sofrida indiferença,
Dos olhares sem a alma.

Uma pétala lançada
aos olhos dos homens
transformou a terra em jardim...

"A luz que me faz brotar
esta aqui, dentro de mim.
Sempre fui a mesma orquídea."

ives vietro

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ilusão, desilusão.

Um brinde à Noite
Em ritmo ao vapor
Do Vinho vermelho

E sinto seus dedos
ao tocar sua boca
A valsa das peles

E dança à Proust
em meus braços
incandescentes

E fecha os olhos
en-trega a outro
O ouro dos toques

Já fui a doce ilusão
na arte de mentir
e logo me despedir
na triste desilusão

ives vietro

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Luzes noturnas.

Oh, luzes noturnas!
Abraços solares sob a face da lua.
Abraços lunares aos olhos da alma.

Oh, candeia dos movimentos celestes!
Braços que revelam as suas vestes,
na alcova Azul presa pelo desejo-amor.

Campo magnético entre dois olhares,
energia que atrai Luz e se expande.
Beijos que se ligam das pontes aos céus!

ives vietro

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bolhas rosadas.

bolhas rosadas ébrias
piscam nas noites natalinas
áurea aos olhos contagiados
lembranças pontuadas na luz
data das noites fulgurantes
marcadas em lágrimas profundas
a presença das energias celestes

ives vietro

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Poções magicas.

poções magicas na perfeição imaginária
em conluio com os desejos entorpecidos
refletem na minha ideia a luz da beleza

Estou na dança das energias silenciosas
meu corpo em coesão com o que busco
une-se à sombra do coração iluminado

ives vietro

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Além do ninho.

A autorização materna era ainda um ninho que eu precisava deixar, e lá fora, distante dos olhos protetores, minha mãe não imaginava o quanto eu desafiava as leis da natureza. Queria sentir-me livre, plenamente. As meninas eram as minhas cúmplices. Em tenra idade, uma delas me ensinou o quanto era bom os caminhos perigosos. Acho que os tentáculos Maiores sempre estiveram postados na evolução humana. Mas como, o perigo pode se sobressair nessas histórias de beijos tão doces? Quando eu desenhava na imaginação sobre os perigos da noite, não estavam justamente elevando a minha vontade? Lembro-me tão bem do perfume natural na pele que se revelava lentamente entre as roupas íntimas...! Não sabia onde tocar, mesmo assim ela sussurrava com plenitude nos meus ouvidos meio assustados, meio lambuzados. A imperfeição precisa de parâmetros para existir, e só com os outros beijos eu pude entender o quanto era bom aquele, aquele. Desconhecido, atiçado por um desejo gostoso, de meninos que esqueciam facilmente o universo ao redor. A cada mais distante da estrada, em curvas sinuosas, frescas, lisas, quentes, úmidas, apertadas, rompidas, ao abrir os olhos. Tempos possíveis. Sempre, tempos possíveis de se escapar, de se aventurar além do além do ninho! abraços

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Paixão?

Ela tinha o olhar que a minha imaginação trazia. Nos sussurros dos amigos de colégio sua figura se fazia. Uma vez estive no átrio de sua casa suntuosa. “Fui visitar o irmão” que estudava na mesma classe, e que por culpa dos meus fantoches estava no mesmo grupo de trabalho. Ah, a paixão pode tanto, perigosa. Senti seu calor nas minhas costas enquanto “ensinava” matemática para o irmãozinho inocente. Visualizei a penumbra, mas não pude deslumbrar plenamente a silhueta misteriosa. Meu coração palpitante chegou a pairar no ar, e um suspiro breve denunciou a minha vontade atroz. A expectativa crescia a cada dia. Com o tempo descobri que ela frequentava uma igrejinha perdida no pé da colina, dos arredores da vilazinha que morávamos. Depois de perscrutar minuciosamente soube que a igreja se tratava da mesma dos meus pais, que estavam indiferentes com a minha alma diferente. As noites enluaradas passavam lentamente e eu ainda não avistara a menina-fada dos meus sonhos de criança. Quando a minha mãe disse: Tem uma menina linda que frequenta o culto com a gente. Mais uma vez meu coração saltou comovente, ao ouvir a minha mãe terminar. Não que ir com a gente? Procurei uma vestimenta adequada, porém as calças perderam a cor, as camisas estavam velhas, e os sapatos antiquados: nada mais era adequado. E, foi num domingo gostoso, de sol que caia lentamente, exalava o aroma da terra, da lua branca, branca, saudosa, alegre, enfeitiçado. A expectativa pode tomar o rumo inverso, mas nestes versos, são os laços, de uma estrela brilhosa. Enquadrou-se, elevou-se, apossou-se de mim. Mas eu não estava pronto, e andava como tonto, babando pelos arredores. Subia nas árvores e inalava os vapores das nebulosas, os rios das águas cristalinas refletiam a bela de tranças negras, e cujas mãos pertenciam às nuvens, de algodão. Não estava preparado para aquela invasão súbita de sentimentos desencontrados, a paixão tomou-se um tormento. As águas da cachoeira diziam ao contrário dos meus “magos”, que dilatavam as minhas veias a esquecer o tamanho do meu amor. Mas as águas não são magos, e falam no imo do fado, à moda da canção. As águas podem lavar as faces do presente, mas não podem levar o que me deram de presente: a justa calma para amar novamente, e quem sabe, independente do aparente das ilusões, que crescem ou murcham num instante. Ives vietro