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segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Brasil
O dono do bar é um cearense de muito respeito e ai daquele que não ler nos olhos dele os limites do estabelecimento. Mas todos frequentadores de botecos sabem que é preciso ter muito cuidado com quem não se conhece direito. Entrei, cumprimentei com um bom dia sorridente, e todos responderam com o mesmo sorriso feliz, afinal, era sábado. Pedi uma cachaça e um torresmo quando chegou um Senhor simpático ao meu lado e começou a conversar daquela forma brasileira, sem pretensão nenhuma além da de jogar conversa fora. O meu novo amigo me disse que era da Bahia antes de ficar em silêncio... “Viver em São Paulo é difícil, ainda mais com a família longe”. Nessas horas não se fala nada, as lágrimas já estão fazendo o trabalho divino. Passado alguns minutos entraram outras pessoas no bar. O “Ceará” logo os saldou com aquele ar álacre próprio dos nordestinos. Essa turma vinha do Rio Grande do Sul, arrumaram emprego nos arredores e moravam ali perto. Eram muito divertidos também. A seguir o mais inusitado aconteceu: um senhorzinho sentou-se e abriu uma marmita. Estiquei o olho e vi berinjela em seu prato. “Adoro berinjela frita”. Disse ao homem que pegou do seu garfo e ofereceu com a mão direita um pedaço da iguaria, e eu peguei com a mão direita também. Lembrando que só de oferece algo com a mão direita e não podemos recusar. Eu sorri, e ele fechou os olhos de felicidade. Esse ar de Brasil, de brilho conhecido, de gente esfolada nas ruas, é o ar da solidariedade. Nunca ficamos tão apertados como agora nessa crise, mas não ficamos sem oferecer o nosso melhor com a mão direita. Sabemos de quem tem dinheiro e não oferece nada, mas apenas dizemos “Deus ajude” e seguimos muito felizes. Quem acha que vamos passar fome no bar está enganado, logo fazemos o rateio para comprar carne de primeira, carne de primeira. Bebemos e comemos até não aguentar, mas ficar bêbado é mal visto por lá, um bom bebedor aguenta a bronca e jamais fica cambaleando, quem ficar assim leva uma bronca do Ceará que trata até de manda-lo embora. Esse é o Brasil gente, um Brasil que está nas ruas, um Brasil de gente sem frescura, e que não deixa de ser solidário apenas para ser solidário. abraços
quarta-feira, 20 de maio de 2015
A grande diferença.
O que fazer quando se tem a memória tão ampla que engloba ainda a ação em que fez parte determinada pessoa e por não se lembrar mais do ocorrido, simplesmente acredita que não existiu o que dizemos? Muitas vezes é sofrido ter um foco que oscila , mas dentro de um campo muito mais reto que os seres completamente perdidos numa escala social tão perdida quanto eles. Eu, como alguns afins, não seguimos as convenções pragmáticas, e meio que subversivos vemos os "normais" desfilarem suas carrancas sofridas. Dia desses uma menina muito feia espiritualmente, passou por mim mendigando o meu cumprimento. Conversando mais tarde com o mestre que sempre falo em meus textos, chegamos à conclusão que agi de forma certa. A menina, quando desfrutava o "status" de casada, mal sentia a minha presença, e após a separação viu-se em apuros financeiros, e não teve outra saída a não ser vender esfirras. Quando ela implorou o meu oi, na verdade queria ampliar sua freguesia. A minha resposta foi a mesma carranca que os "sociáveis" apresentam para quem não serve ao mesmo ideal. Mas não sou radical. Pelo contrário, sou até muito complacente por saber da amplitude, da instabilidade...! Ela acercou-se da minha turma de afins, descobriu que não somos subversivos, e que temos um potencial de ajuda-la que a faz emocionar-se quando lembra dos julgamentos. Assim acontece muito na internet, com mulheres que já são inseguras e partem a nossa amizade ao primeiro namorado que encontram. Diferente das Grandes mulheres, seguras, maduras, que têm a liberdade de se relacionarem, e em nome da amizade são fieis, estáveis. Lógico que vai acabar o "namoro" da menina, a máscara é muito fina, a menina é insegura, egoísta...não nasceu para o amor...que requer a liberdade de sermos o que somos, e fazer sempre o que fazemos, livres! abraços ives vietro
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Viagem.
As ciências são cartas de um baralho infinito...! A psicologia, a física, filosofia, biologia...! Afinal , tudo esta no mesmo cesto azul, na palma de Einstein, na concha do universo. No papo louco De Bar, sabemos que os passos desses gigantes são raros, mas desaguam em outras fontes , e formam assim um rio de prata. E a música? As escalas, o pentagrama, tudo harmoniosamente elaborado por quem tem nas mãos o talento de tocar com a alma o corpo fluído. E sinto-me gigante na carapuça instantânea que me atira à esse universo plenamente movimentado. Sinto-me como no filme de stanley kubrick, que defere um golpe mordaz no final, que é o incio, o nascimento do ser, sempre, num remar constante Nietzschiano. No papo do bar que me serve da bebida da curiosidade é um amigo muito perspicaz, que não perdeu a razão, quando perdeu todo o dinheiro, vil dinheiro. Esse nome que nos serve, não serve de identidade, somos duas pessoas conjecturando as possibilidades. Enraizado na forma pragmática sociável, em relações seguras, num mundo de animais, buscando a liberdade como fim comum. Chegamos a conclusão que o bem, nasce da preocupação com o próprio bem, já que angariamos tanto esse espaço raro da paz. Talvez num mundo de paz conseguiremos confraternizar os ganhos realmente salutares. A arte é uma das molas propulsoras do desenvolvimento, é a loucura que foge da alinhamento. É a filosofia quebrando conceitos, parâmetros. O meu amigo, "astronauta de mármore", recebe na casa dele um Religioso, e os dois conversam horas e horas, e a cada qual a carta certa volta ao baralho da essência maior. Há mentes que acoplam o todo do ser, em um cérebro aberto à divindade, pois essa não é excluída, já que os passos, não mais misteriosos são dados desde tenra idade, quando muitos nem mesmo ouviram a velha ciência falar. Na arte nasce a centelha luminosa, e eclode-se em raios de Mozart, nos traços de Da Vinci, no código de ouro, e enfim, na simplicidade da beleza, que da natureza, nós copiamos e redescobrimos a perfeição! ives vietro
quarta-feira, 13 de maio de 2015
O formigueiro.
Estou postando quase todos os dias, mais para superar a falta de alguns parentes que viajaram e deixaram-me com a Luna(cadelinha), e o Jonny(calopsita). Escrever me faz bem, e desta vez vou escrever sobre algo "trágico" que ocorreu hoje. As pessoas que me acompanham de longa data sabem que vez por outra posto algo mais cômico, mas desta fez a coisa foi feia! O meu vizinho que mexe com ervas medicinais bateu na minha porta e pediu-me "urucum": Nem sei se é assim que escreve, mas tenho uma árvore da semente em uma das minhas propriedades. "Claro Seu João". Peguei a chave e fomos lá em busca da semente. Antes de continuar, só que queria salientar que tenho amizade há muito tempo com o Seu João, e graças a ele eu me curei de muitas coisinhas que vão acontecendo com a gente. Mas as vezes os tratamentos são inusitados. Já aconteceu de eu ficar três dias com babosa na cabeça, outra vez ele me esfregou tanta arnica nas pernas que quase fiquei sem pelo algum, e quem entrasse naquela hora acharia no mínimo duas coisas, que éramos gays, ou tínhamos pirado mesmo. Mas eu com ele temos a famosa troca, sabem como é? Faço uma gentileza e ele retribui com esses tratamentos. Então, fomos lá pegar o urucum...! Quando ele viu o pé carregado da semente já começou a cantar, "Eba , Eba , Eba". E completou dizendo: "Vou pegar tudo"! Enquanto ele continuava cantando fui pegar um saquinho né, quando voltei avistei uma cena incomum. Como no filme Matrix, sabem? em câmera lenta o Seu João ia pousando o pé sobre o meu formigueiro. Meu formigueiro ? Sim. Nem toco em formigueiro, por acreditar que são residências como as nossas, só que em escalas menores, deixa pra lá! Eu não consegui avisar, fiquei paralisado pela tragédia. E o pé do Seu João afundou-se gostoso nas lava-pés, pobrezinhas. Ele me olhou com aquela cara de maluco, e perguntou o que eu queria. "Nada" . Bem, sem saber o que fazer, e meio aturdido acabei dando a sacola para ele e sai vazado. Lá de longe só ouvia os ruídos dos sapatos sendo tirados, da calça e quase que a cueca. Ele me disse que não tinha problema, que as picadas até faziam bem. Confesso que cheguei a rir na cara dele, mas ele é esportivo, e levou na risada também. Quando nos despedimos ele pediu para eu passar lá qualquer dia que ia esfregar urucum na minha testa. Respondi que tudo bem, e quem sabe até tire uma foto todo avermelhado! abraços ives vietro
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Porque alguns casamentos acabam.
Esses dias fui à casa de um amigo de longa data para jogarmos xadrez. Depois do seu casamento, meu amigo pediu-me um tempo, pois precisava por a casa em ordem e viver a lua-de-mel. Ficamos algum tempo sem jogar o nosso xadrez, coisa que adoramos fazer desde adolescentes, e nos privamos de jogar quando um ou outro pede o tão necessário tempinho. Mas um dia, ele convidou-me mesmo com a sua Senhora em casa. Eu perguntei alegre se realmente estávamos com tempo para jogar, ao que ele respondeu: "vem logo marreco". Chegando lá, o tabuleiro já estava armado, mas a Senhora apresentava uma leve carranca. Meu amigo muito sensível tratou logo de me receber bem, e pediu a esposa para fazer-nos uma limonada. E assim, começamos a jogar. Mas gente do céu, a cada cinco minutos a mulher vinha e dizia "Bebe, você quer mais limonada", depois "Bebe, vamos ao shopping", "Bebe, você não vai lavar o carro"? Eu que conheço esse amigo de longa data já estava achando estranho o seu silêncio. Numa das ida da esposa ele me disse aos sussurros "não aguento mais Ives, não tenho espaço". Na ultima vez que a esposa chegou e disse: Bebe, e ia completar, quando o meu amigo se levantou e explodiu. SUA PORCA IMUNDA, ME DEIXA JOGAR, QUE EU TE FALEI QUE IA FICAR JOGANDO A TARDE E A NOITE TODA CARALHO. Não fiquei sem graça, pelo contrário, achei que estava demorando para o meu amigo entrar em ação...! Bem gente, a falta de espaço é o que pesa muito. Não acho bacana explodir assim, mas eu mesmo não poderia fazer nada, né? Esse meu amigo já esta se separando, ninguém suporta o sufocamento que uma das partes sempre acaba exercendo sobre a outra. Não sei onde ouvi, que amor é liberdade, e olha, garante muito mais um bom relacionamento. ives vietro
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Festa
Cheguei à festa na carroceria de uma Kombi velha, estourada para ser mais exato. Estava sentado sobre milhares de garrafas de cervejas, que delícia no momento: loucura, viajem. Eu tinha uns dezesseis. Já pulei na piscina causando. As menininhas riram. Podia escolher. Até as nove não sabia quantas havia beijado, e preparava uma para noite desejada. Puts, todas foram embora, a kombi também. Fiquei com um bando de macho, que tristeza. Por mais que tentei não resisti ao cansaço e procurei o canto do silêncio, não tinha! Começou a chover e tive que me esconder na sala onde todos roncavam. Nunca entendi como conseguem desmaiar assim. Tentei um sofá velho reservado para mim, a minha desejada da noite voltaria no dia seguinte me buscar. Tudo bem. Deitei-me acreditando que roncaria também. A calça começou a dobrar, os roncos começaram a me irritar, o tique-taque de um relógio odioso ecoava como se fossem passos de fantasmas. Relógio que pressagiava o tormento que apenas começava. Ives vietro
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