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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Sombras e tempestades

Preso pelas neuroses, oh Platão,
Via nas formas aparentes celas.
Havia luz mas se calou nas velas
Antes de iluminarem a minha razão.

Marionete entre tantos pensamentos,
Via no vazio o amor que se revelou.
Lutei contra a correnteza mas se afundou
Uma alma a mercê de encantamentos.

Eram uns olhos, dois feitiços lentos,
Do fundo da caverna eram uns tormentos.
Só pude me perder completamente.

O sol deixou de ser o astro-rei,
Internamente não sei porquê gelei.
Só sei que amei infinitamente.

Ives Vietro

quarta-feira, 27 de março de 2019

Poesia

Pulcra sob as fleumas da música
Brilha ao redor da essência da arte.
O pintor se ilumina com sua Voz,
em asas de pinceis sobre os prados.

Ela é a alma de toda criatura,
Inspiração divina na escultura eterna.
Nasce bela como a lua cheia
em halos que laçam à noite o andarilho.

Sem rimas ou ao campo harmônico
Expressa em vates o que clareia livremente.
É a imortal batuta das batutas,
pincel dos pinceis antes da tela pronta.

Está crua, nua; poderosa, airosa,
muito fértil nas mãos dos mediadores.
ela é a alma sobre tantas almas...
Ela é a luz das luzes sobre tudo e todos.

Ives vietro

terça-feira, 12 de março de 2019

Carência

Em meio aos torpores do sono,
talvez ainda à margem do sonho;
antes de voar nas luzes constantes,
ou além dos sentidos tão contentes...

O vento retumbou, o tempo parou,
nácar de pétalas escritoras me laçou;
Espírito ou pele das pérolas brilhantes,
Ela arfava entre ardores delirantes...

Meus braços dançavam aos ares
Enfeitiçados pelos astros e seus pares;
Espectro de aspecto sedutor
ela me beijava com as labaredas do amor.

Lá entre as chamas do paraíso
o sentimento se levantava tão preciso;
cá as chamas solitárias acordaram
vividas forças que meus beijos sonharam.

ives vietro

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Antes de magoar...

Antes de virarem magoas
Ofensas ou pobrezas de espírito
As palavras impingidas
Mitigaram-se no meu espaço sideral.

Estenderam-se
Entenderam-se

Com as estrelas experientes
Com a lua que gira continuamente
Com o sol da manhã reticente...

Ives vietro

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Importâncias

A parte do sonho que lembrei
é a luz com as outras partes que sonhei.
Quanto cresço, quando cresço,
sou o nauta desse espelho infinito.

Estilhaços de lágrimas derramadas
retornam ao véu de Sua magnitude.
Quando cresço, não vejo em partes,
vejo plenamente ligado aos anjos.

O composto do que sou, e sou,
o que a memória resguardou.
Um ritmo de estrelas irradiantes;
sim, viemos de muito antes.

É uma pessoa que se aproxima,
e que o espírito reconhece ao arfar;
É a luz que liga o meu sonho,
aos milhares de viajantes comigo.
ives vietro

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Quase quasar

À penumbra se fechava ao se ouvir,
minha doce, suave, luz das estrelas.
Havia mil vontades no afã de se abrir,
e o amor pronto para amar todas elas.

Um olhar desejoso e cativo marejava,
à procela distante, de além das trevas.
Eclodia-se como a luz e navegava
doce mulher às fleumas de minhas velas.

As águas do meu rio vincava a pedra
na face branca se alumbrava repentina.
Aos poucos a luz se abria aquarela,
de um quase quasar à estrela vespertina.

Falavam as luzes! Ahh mulher, essência.
Ouvir a beleza de um amor é o infinito,
e se deixar levar pela leve fluorescência,
é abrir as comportas ao que é mais bonito.

ives vietro

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Despedidas

Ecoará das éclogas
vibratos ensandecidos;
Às sombras ocultas
chorarei flores mortas.

Lembrará o adeus,
o arrependido banco vazio;
Lembrará o que não foi
o imaginário calor da vida.

Alguém de alma santa
habitará o arrependimento,
alguém que era a luz,
e não a vimos diante dos olhos.

Alguma razão langue
uma loucura amedrontada,
todas flores mortas,
num jardim de cegas despedidas...

ives vietro

segunda-feira, 12 de março de 2018

Lua

À luz o beijo da lua
irrigava as artérias da Terra;
Estro da mensagem
alumbrar assim os perdidos.

Natural e de aura crua
romântico e avassalador;
um beijo de magias
desceu à noite os arcanjos.

Cartesiano laço perfeito
simétrico na matriz da flor;
entre lábios eclipsados
lançaram o risco da criação.

Arcano de silêncios doces,
veleiro da noite dos apaixonados;
o caos para a harmonia,
o sol no espelho da existência.

ives vietro

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O caminho ético.

Se duvidas do caminho ético
e do sabor da tarde que rola nos ninhos;
os pardais apaixonados pela terra,
um calor de chuva anunciada...

um romantismo ao criar da prole
o sentido da vida na ancestral mansarda
o joão de barro manso e poeta
desfila o arranjo da casa no amor eterno.

A alma das coisas olhadas,
Um rio que canta às cachoeiras e pedras,
estalos de bicos dos bichos felizes
no caminho de um amor integro-inteiro.

Num rito de ritmos que ensinam
o tom das rosas e o beijo dos beija-flores.
a festa celebradora deste amor que não treme
diante do inverno se vier nevando...

ives vietro

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Telepáticas forças

Desloca o ar as fleumas distantes
Sei dos zéfiros o chamado noturno.
Lágrimas ecoam, escoam na chama,
Molham a alma de quem lhe adora.

Vela destemido o guardião eterno
Sempre que chorar estarei consigo;
Seja entre peles, serei entre trevas
Vigilante ouvinte do seu triste pranto.

Faço-me de ponte às luzes que exijo.
Dou-lhe minha energia, o meu sangue.
Entro pelos seus poros com a alma
Possuo a sua esfera, pois me pertence.

Ives vietro

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Fábulas?

O langue esboço da realidade
Manchou minha alma tão sonhadora.
O frio das angustias me abraçava
Na lida pesada entre os anônimos.

Via na arte a cela dos amantes,
A livre escolha dos desprendidos.
Assim eu olhava, assim eu sonhava,
Com fábulas cheias de realidade.

Até que o amor desceu do altar
E me viu tão só entre os derrotados;
Até que o amor se fez verdadeiro,
humílimo de rastos entre os sonhos.

Então o desenho da fantasia real
Desceu em forma de luz milagrosa;
Entre as artes somos os lembrados
Dispares loucos e apaixonados.

Ives vietro

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

afinidades

O arrepio inesperado
num ramalhete de sensações
meu bem apreciado
na clara rosa das recordações.

Incrustado na alma
os atalhos das cerejeiras em flor;
Inusitado é a calma
renascendo diante do eterno amor.

As águas do riacho
melodicamente se desbocam em ruídos;
lentamente se expressam
aos sentidos e nunca cessam.

Num crescendo se queiras ver
o ramalhete de rosas.
Até o veio das flautas tremer
simples notas dos arcanjos.

ives vietro

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Pôr do sol

Retumba no horizonte
a espádua do romantismo;
Uma noite de franjas
com estrelas "vitralinas".

As andorinhas festejam,
a graça diante das janelas;
descrevem no rastro
a silhueta da calmaria.

Tão longe dos homens
assim ensinam o que importa;
tão perto das pétalas
a fotossíntese nos olhos.

ives vietro

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Admiração mútua

Caminha ao lado hoje e sempre
Enleio destinado a forças livres.
Amor verdadeiro é por inteiro,
de gostos unidos nos afazeres.

Assim linda Dama sorri estrelas
A me ver tocando minhas orquídeas.
Reluzem na essência o nosso laço,
Alumbradas fleumas consagradas.

Assim quando sonho deslumbrado
É tão acordado que me encontro.
Ao vê-la compor poemas bordados
De boca aberta sorrio estrelas.

Admirados olhos desprendidos
Seja o que for, simples trabalhos.
Do céu é esse dom de apaixonados,
Da natureza o elogio dos nossos olhos.

Ives Vietro

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Chuva

A chuva riscava um desenho na vidraça.
Lá fora o pardal cantava entristecido,
Cá dentro éramos o reflexo do vento:
Dois bichos unidos na escala do tempo.

Lembrávamos do sol de outras eras;
Energia de fogo pairado nos sentidos.
Mudança de matizes, cor do movimento;
Aquarela de lembranças na janela.

Então um raio sinuoso vazou as nuvens,
Elevou a escala sagrada dos andores.
Nossas almas carregadas pelos arcanjos;
Pinceladas de luzes em meio às trevas.

Ives vietro

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Espelho meu

Diante do espelho
no sonho dos sonhos
um homem calado
sentou-se ao meu lado.

As portas fechadas
janelas quebradas
Uma voz tilintante
abriu-se num instante.

Dizia o homem
"Os pássaros selvagens
descobrem os atalhos;
descubra os seus galhos".

Consciência encarnada
apresentava a jornada
além do que eu ouvia
era a luz dos meus galhos.

"Desprenda-se da matéria
atira-se na artéria
das luzes humanas".

ives vietro

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Aranha

Caiu a teia da aranha
O vento retumbou no horizonte estrelado
E antes de raiar o dia
A armadilha estava pronta novamente.

Entre pontos de apoio
De uma estrutura gigantesca
Estava a aranha pronta
Para ensinar os olhos humanos.

Enquanto reclamavam
Não viam os homens que o dia amanhecia
Nem que
de certo
A aranha trabalhara a noite inteira.

Ives vietro

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Integridade

Sua singela fisionomia de íntegra Rosa
Inspirava-me almejar os mesmos passos.
Merecendo o néctar dos seus lábios íntimos
Concebi a áurea azul de tal divina prosa,
Quando dos lábios os olhos em seus traços
Diziam ornamentando nossos ínfimos laços.
A timidez no interno pranto sem as lágrimas
Luziam as esferas que só com amor percebemos.
Ela chorava sem chorar por encantos pequenos.
Era só falar das flores murchas no canteiro
E seus olhos como daquilo que todos padecemos
Diziam tristezas que choram no mundo inteiro.
Mas a Bela, era ela, em sua excelsa formosura,
Sem temer mostrava a luz da força de querer
Ser transparente na livre coragem de se sentir.
Diante do seu amor era essa a sua leal postura
Dizia sem saber da luz na essência de ser
Rara flor de púrpura face sem saber mentir.
Ives vietro

terça-feira, 27 de junho de 2017

Signos?

Não disponibilizo o melhor de mim
que fica sob o salgueiro orvalhado.
Feliz por nem haver signo correlato
que desprenda a luz das pedras.

Desce o riacho um peixe passageiro
um feixe de luzes em letras o que seria?
Para, paira. Carpa de couraça Santa,
Ave do riacho no avesso da terra alta?

E a, e há necessidade de esboços
o afã de desenhar o que resvala nos olhos
um pouco da poção, da porção da magia
talvez chamem isso de vontade e poesia.

ives vietro

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Passagens

Ensina-me ohh luz dos segredos
Herméticos sonhos entre os desejos
Lidar com os reveses do espírito
Ouvir os signos das tramas do tempo.

Negados elogios a flor das flores
Decaíram-lha a autoestima do rosto.
Tez de alabastro que os anjos invejam
Beleza que também não ousei elogiar.

Frágil porcelana de eterna substância
Sou de sua estampa o melhor escravo.
Preso por dentro na cela do momento
Ciente que voaria logo como o vento.

Empurrei suas asas contra o tempo
Com calos em seus medos mais internos.
Com feridas no casco de um navio eterno
Levará de mim um risco no rosto feérico.

Ives vietro