segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Telepáticas forças
Desloca o ar as fleumas distantes
Sei dos zéfiros o chamado noturno.
Lágrimas ecoam, escoam na chama,
Molham a alma de quem lhe adora.
Vela destemido o guardião eterno
Sempre que chorar estarei consigo;
Seja entre peles, serei entre trevas
Vigilante ouvinte do seu triste pranto.
Faço-me de ponte às luzes que exijo.
Dou-lhe minha energia, o meu sangue.
Entro pelos seus poros com a alma
Possuo a sua esfera, pois me pertence.
Ives vietro
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Fábulas?
O langue esboço da realidade
Manchou minha alma tão sonhadora.
O frio das angustias me abraçava
Na lida pesada entre os anônimos.
Via na arte a cela dos amantes,
A livre escolha dos desprendidos.
Assim eu olhava, assim eu sonhava,
Com fábulas cheias de realidade.
Até que o amor desceu do altar
E me viu tão só entre os derrotados;
Até que o amor se fez verdadeiro,
humílimo de rastos entre os sonhos.
Então o desenho da fantasia real
Desceu em forma de luz milagrosa;
Entre as artes somos os lembrados
Dispares loucos e apaixonados.
Ives vietro
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
afinidades
O arrepio inesperado
num ramalhete de sensações
meu bem apreciado
na clara rosa das recordações.
Incrustado na alma
os atalhos das cerejeiras em flor;
Inusitado é a calma
renascendo diante do eterno amor.
As águas do riacho
melodicamente se desbocam em ruídos;
lentamente se expressam
aos sentidos e nunca cessam.
Num crescendo se queiras ver
o ramalhete de rosas.
Até o veio das flautas tremer
simples notas dos arcanjos.
ives vietro
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
Pôr do sol
Retumba no horizonte
a espádua do romantismo;
Uma noite de franjas
com estrelas "vitralinas".
As andorinhas festejam,
a graça diante das janelas;
descrevem no rastro
a silhueta da calmaria.
Tão longe dos homens
assim ensinam o que importa;
tão perto das pétalas
a fotossíntese nos olhos.
ives vietro
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Admiração mútua
Caminha ao lado hoje e sempre
Enleio destinado a forças livres.
Amor verdadeiro é por inteiro,
de gostos unidos nos afazeres.
Assim linda Dama sorri estrelas
A me ver tocando minhas orquídeas.
Reluzem na essência o nosso laço,
Alumbradas fleumas consagradas.
Assim quando sonho deslumbrado
É tão acordado que me encontro.
Ao vê-la compor poemas bordados
De boca aberta sorrio estrelas.
Admirados olhos desprendidos
Seja o que for, simples trabalhos.
Do céu é esse dom de apaixonados,
Da natureza o elogio dos nossos olhos.
Ives Vietro
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Chuva
A chuva riscava um desenho na vidraça.
Lá fora o pardal cantava entristecido,
Cá dentro éramos o reflexo do vento:
Dois bichos unidos na escala do tempo.
Lembrávamos do sol de outras eras;
Energia de fogo pairado nos sentidos.
Mudança de matizes, cor do movimento;
Aquarela de lembranças na janela.
Então um raio sinuoso vazou as nuvens,
Elevou a escala sagrada dos andores.
Nossas almas carregadas pelos arcanjos;
Pinceladas de luzes em meio às trevas.
Ives vietro
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Espelho meu
Diante do espelho
no sonho dos sonhos
um homem calado
sentou-se ao meu lado.
As portas fechadas
janelas quebradas
Uma voz tilintante
abriu-se num instante.
Dizia o homem
"Os pássaros selvagens
descobrem os atalhos;
descubra os seus galhos".
Consciência encarnada
apresentava a jornada
além do que eu ouvia
era a luz dos meus galhos.
"Desprenda-se da matéria
atira-se na artéria
das luzes humanas".
ives vietro
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Aranha
Caiu a teia da aranha
O vento retumbou no horizonte estrelado
E antes de raiar o dia
A armadilha estava pronta novamente.
Entre pontos de apoio
De uma estrutura gigantesca
Estava a aranha pronta
Para ensinar os olhos humanos.
Enquanto reclamavam
Não viam os homens que o dia amanhecia
Nem que
de certo
A aranha trabalhara a noite inteira.
Ives vietro
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Integridade
Sua singela fisionomia de íntegra Rosa
Inspirava-me almejar os mesmos passos.
Merecendo o néctar dos seus lábios íntimos
Concebi a áurea azul de tal divina prosa,
Quando dos lábios os olhos em seus traços
Diziam ornamentando nossos ínfimos laços.
A timidez no interno pranto sem as lágrimas
Luziam as esferas que só com amor percebemos.
Ela chorava sem chorar por encantos pequenos.
Era só falar das flores murchas no canteiro
E seus olhos como daquilo que todos padecemos
Diziam tristezas que choram no mundo inteiro.
Mas a Bela, era ela, em sua excelsa formosura,
Sem temer mostrava a luz da força de querer
Ser transparente na livre coragem de se sentir.
Diante do seu amor era essa a sua leal postura
Dizia sem saber da luz na essência de ser
Rara flor de púrpura face sem saber mentir.
Ives vietro
terça-feira, 27 de junho de 2017
Signos?
Não disponibilizo o melhor de mim
que fica sob o salgueiro orvalhado.
Feliz por nem haver signo correlato
que desprenda a luz das pedras.
Desce o riacho um peixe passageiro
um feixe de luzes em letras o que seria?
Para, paira. Carpa de couraça Santa,
Ave do riacho no avesso da terra alta?
E a, e há necessidade de esboços
o afã de desenhar o que resvala nos olhos
um pouco da poção, da porção da magia
talvez chamem isso de vontade e poesia.
ives vietro
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Passagens
Ensina-me ohh luz dos segredos
Herméticos sonhos entre os desejos
Lidar com os reveses do espírito
Ouvir os signos das tramas do tempo.
Negados elogios a flor das flores
Decaíram-lha a autoestima do rosto.
Tez de alabastro que os anjos invejam
Beleza que também não ousei elogiar.
Frágil porcelana de eterna substância
Sou de sua estampa o melhor escravo.
Preso por dentro na cela do momento
Ciente que voaria logo como o vento.
Empurrei suas asas contra o tempo
Com calos em seus medos mais internos.
Com feridas no casco de um navio eterno
Levará de mim um risco no rosto feérico.
Ives vietro
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