segunda-feira, 27 de maio de 2013

Piano

Quando as portas do conservatório foram abertas pela Srta de olhos escuros, fiquei encantado por ver diante de mim dois seres desconhecidos. Um com a desenvoltura de um cavalheiro de finos traços, e outro de natureza morta, impetuoso, onipotente e tocante. A Voz jamais seria ouvida se não fossem os dois, a história não teria paixão se não fossem Romeo e Julieta, assim não faria sentido o piano sem o Mestre, maestro, Deus! Meu professor já era músico antes do nascimento, pois se nasce músico, e os vemos “renascidos”, já, aos seis ou cinco anos de idade! Além de professor o ser que estava a minha frente ditava em forma de linguagem angelical, as minhas primeiras lições ao piano. Em pouco tempo, mais pela genialidade do meu agora amigo, que por minhas próprias virtudes, passei a tocar algumas musiquetas, mas que chegavam aos meus ouvidos como Nona, pelo prazer de poder finalmente voar. Era como se eu fosse um pássaro numa árvore perdida no bosque, que canta simplesmente para louvar a natureza e seus representantes mais nobres; as formigas, as borboletas, e as abelhas parecem escutar enquanto Deus envia outro ser divino para ajudar na difícil tarefa de manter o planeta em equilíbrio! Certa vez, uma menina do time dos apaixonados pelo pianista, entrou correndo pelos corredores do conservatório. Ela tinha tranças dançantes e olhos brilhantes, a sua felicidade contagiava a ponto de tirar um sorriso espontâneo dos nossos lábios surpresos! Com graça e leveza ela pediu ao meu professor tocar a mesma Obra que tocara em sua formatura! Eu nem sabia que era passível disso acontecer, se era permitido um átimo espetáculo na escola, mas ele assentiu, mesmo por que seria impossível negar algo a aquela abelhinha sorridente! Aos poucos uma onda de calafrios penetrou-se em minha pele, em seguida uma profundidade de sentimentos enluarados, e por fim a lágrima divina. Nunca tinha visto de tão perto um piano voando e encantando o ser humano. A música nos dedos dele era a exaltação de Deus, era o presente que o Senhor doara, simplesmente doara! Um pudor tolo invadiu meu coração, fiquei com vergonha de mostrar as minhas lágrimas, mas quando notei que a metade da escola, que invadira a minha aula, estava chorando, fiquei mais encorajado em pegar o lenço que a menina de tranças me emprestava! abraços

19 comentários:

  1. Belíssimo trabalho!
    Adoro piano!
    Saudações.

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  2. Olá Ives,
    Quando a emoção toma conta a gente, não há como resistir, disfarçar....até choramos! O piano é música para a alma da gente. Adoro !!
    Parabéns por teu maravilhoso conto!
    Beijos, Vilma

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  3. Teu jeito de contar das emoções é muito peculiar, mágico mesmo. Muito bonito.


    Abraços, senhorito.

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  4. É meu querido menino de olhos cor de safiras, quantas vezes certas músicas tocadas por mãos Divinas nos tocam o coração.
    e os nossos sentimentos ficam ali expostos para que todos vejam a sensibilidade que nos invada.
    Gracias amigo lindo por tudo e sempre pela sua linda presença em minha vida.
    Beijinhos de luz e muita paz no seu coração...que Deus te bendiga.

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  5. Olá, Ives
    Eu adoro piano.Já soube tocar com as duas mãos.Agora, e porque gosto muito de música, sento-me, canto e faço-me acompanhar só com a mão direita. Só para conseguir sons mais agudos que, sem música de fundo, não conseguiria.
    Pois saiba que só hoje conheci o seu blog e já estou encantada. O seu texto é pura prosa poética,eu diria mesmo,é poesia pura.Só uma sensibilidade como a sua para fazer uma descrição tão bela!
    Também já me comovi muitas vezes ao ouvir música,certas músicas.
    Porém, o seu texto também desperta em quem o lê muitas emoções. considero-o uma jóia literária.
    Os meus mais sinceros parabéns.
    Continuação de uma boa semana.
    Um abraço de Luz da
    Beatriz
    blog Vida e Pensamentos
    http://pegadasdeanjo.blogspot.pt

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  6. Chorar de emoçao, é o melhor choro que há...

    Abçs

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  7. Há muito um texto não me emocionava tanto, Ives.Uma leitura que flui tão naturalmente quanto a sua lágrima de emoção.Saio flutuando... Parabéns, querido.

    Beijos.

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  8. Que momento mágico! Pude senti-lo com emoção, através de suas palavras. Bjs.

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  9. Adorei este seu post. Tenho saudades
    das suas visitas.
    Bj.
    Irene Alves

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  10. Olá, Ives. Boa tarde! Um momento de grande emoção não se tem como conter as lágrimas. Lindo! Obrigada por partilhar. Bjos e ótimos dias!

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  11. Oiii, tudo bem? Com esse feriado prolongado resolvi visita seu blog, venha me visitar tbm, te espero
    bjoo

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  12. sempre quis aprender a tocar piano rs

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  13. Eu quis muito aprender a tocar piano quando criança, mas meus pais não tinham condições de comprar um para que eu treinasse, acabei aprendendo violão.
    Penso que a música é um dos meios mais tocantes para despertar emoções.
    Um abraço!

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  14. Oi amigo, lindo post, adorei!
    Tenha um excelente final de semana, abraços!

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  15. A música é um bálsamo para alma, chorar de emoção é divino!
    bela postagem!
    bjs
    KK

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  16. E você? Já era poeta antes de nascer?!

    Adoro te ler! Bjs

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  17. Oi Ivis
    Sua sensibilidade nessa história me fez lembrar quando criança, filha da cozinheira, adorava quando a filha da patroa tocava piano. Também queria tocar, ela ensinou-me a tirar algumas notas e aprendi por ouvido algumas músicas. Um dia ela não deixou mais, disse que sempre seria pobre e nunca poderia comprar um piano. Nunca comprei e podia, ficou o trauma. Hoje ela não tem mais seu piano, pois venci e ela empobreceu. Moramos em cidades diferentes, mas às vezes a gente se encontra e ela nem se lembra que quebrou em mim a vontade de ser pianista. A vida é assim...
    Beijos
    Lua Singular

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  18. Olá Ives!

    Sua narrativa é encantadora, fez-me viver aquele momento mágico diante do piano que 'voava e encantava o ser humano'. Deu para sentir a emoção do momento e visualizar tudo, inclusive a menina de tranças dançantes e olhos brilhantes... Tão bom chegar a espaços ricos de poesia como o seu!

    Um abraço, linda e mágica semana pra você!

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  19. O som de um piano é magico... emociona... nos transporta para dentro de nos mesmos... eu adoro... e a historia é emocionante...

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