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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Primeiras orquídeas.

Eu era extremamente inocente em relação a Dama de olhos vorazes à minha frente, ao menos na arte do sexo. Ela me beijava profundamente numa idade em que nem gostava daquela língua roçando os meus dentes. Minhas mãos à deriva tentavam antes de mais nada mostrarem algum talento, mas o máximo que faziam eram arrancar alguns sussurros de dor da Mulher. Repentinamente ela puxou a minha mão direita sobre o seu peito e disse: "aproveita bobinho". Não sabia se íamos para os finalmentes ou aquilo acabaria como sempre acabava, com a sensação da curiosidade não revelada, pois ainda não conhecia nada sobre os calores internos das mulheres. Estávamos escondidos numa construção abandonada, e entre os sussurros tentava ouvir algum passo que poderia interromper o meu eflúvio de desejo. Não sei que magia fez-me estremecer. Mesmo com alguns resquícios de timidez não podia deixar a mesma bloquear a oportunidade clara que a madura e bela mulher me oferecia. Ahhhhh foi a primeira vez que senti o aroma peculiar, que só depois, mais tarde, com outras relações é que saberia se tratar do aroma da orquídea roseada...! Foi ela morder o meu pescoço e encontrei enfim um lugar bem apropriado para pousar a mão direita. Sem saber como fazer ao certo apalpei a orquídea molhada, que mesmo sobre a calça exalava-se em calor. Ela fungou profundamente no meu ouvido e fez acender algum sininho escondido, e disse com os olhos o caminho do mel. Diferente de muitas bruxas essa era esperta, e com alguns movimentos rápidos já nos protegia das doenças e de uma possível gravidez. E até hoje acho que são as mulheres quem devem fazer essa magia rápida, porque todo homem tem dificuldade com a pausa, e não pode haver pausa. Lógico que eu sabia a qual caminho percorrer, o difícil seria conter a ansiedade se a mulher inesquecível não tivesse o dom de se posicionar perfeitamente... E foi com um calor inigualável que pude mergulhar naquele pode de doce. A Dama sabia que eu seria dela a vida toda, e realizou o meu desejo com requintes apaixonados. Hoje fico imaginando a perfeição do momento. Sei de muitos homens que passaram a vida traumatizados sexualmente. Que não se entregaram por tola pudicícia nas mãos de uma mulher igual a minha, que mesmo distante não posso deixar de agradecer-lhe o momento, afinal , ela mostrou para mim o quanto pode ser prazeroso o sexo tendo do medo apenas mais um ingrediente! Que bom que ninguém nos viu! Abraços Ives vietro

terça-feira, 21 de abril de 2015

Sonho.

Eu tenho uma dívida com o passado, e o Querubim, numa nota sonhada, trouxe à tona o vaso de lembranças. Algumas flores são multicoloridas e aromatizadas pelas doces cerejeiras cujos galhos representaram a alcova do tempo; outras flores, plúmbeas e inodoras, ferem como espinhos na consciência, e quando é no sonho que o anjo destila o cenário das pegadas perdidas, a sensação volta exatamente como fora no dia do domingo gelado, quando fui à casa da minha amada tentar resolver, e a envolver mais uma vez num novelo de cores. E justamente por acabar de voltar deste sonho místico é que desfaço este rolo hermético, em frases que me desprendem das celas tristes. Ainda com os resquícios da esfera dos Sonhos, minha memória pulsa como uma orquídea reveladora, e não me deixará enquanto na expurgar em versos singelos o que me aprisiona. Então o sonho me levou à tarde de domingo chuvoso em que eu deveria saldar uma dívida antiga, dos tempos que namorei uma jovem muito bonita de rosto pálido que perdera a mãe ha pouco tempo. Estávamos planejando o casamento, e no meu imóvel simples, ela fez alguns investimentos a tornar a pobre casinha um lugar confortável. E diante do medo de perder a liberdade, não pude evitar o afastamento repentino daquela que seria, no mínimo, uma grande poesia florida na minha estrada, e agora, não passa desta massa cinzenta cheia de espinhos. Se eu fosse computar o valor total da minha dívida, com juros, daria algo em torno de uns seis mil reais. Era um dinheiro razoável a quem se via desnuda de proteção e na alvorada de uma sobrevida distante da mãe. Doei-lhe força. Fomos visitar a cidade linda, em tempos que os cristais ainda reluziam de paixão aos olhos sombreados pelas dores. Depois de um ano fizemos os planos e os colocamos em andamento. Construímos um muro, algumas paredes, e um quarto simples sem telhado, era o que dava com os escassos recursos. Mas em meio a tantos labirintos, com o único apoio distante de casa, a minha sensibilidade passou a erigir a antena da proteção quando o pai da menina pálida falava sobre os bens “efêmeros”, os quais eu nunca dei valor algum. “Posso morar numa cabana”, dizia inocentemente ao velhaco que sem dúvida influiria na cabeça da filha. E o instinto de proteção me afastava a cada dia mais daquilo que seria a luz dos jardins. Passei a frequentar os bares da vizinhança, e só chegava à casa da Amada quando anoitecia. Completamente embriagado deitava e desmaiava na cama que era exatamente da mãe da menina que andava um pouco alegrinha pelos últimos planos esperançosos. Saíamos ao anoitecer pelas ruas e avenidas, pelas igrejas e bosques secretos, e não voltávamos sem um pouco daquele sorriso necessário para continuar sobrevoando as luas prateadas e apaixonadas, mas de cheias foram minguando, até chegar o derradeiro instante quando não pude impedir o afastamento de vez. Em prantos ajoelhei-me no alpendre de sua casa, e desculpei-me por tamanho disparate, o de não poder controlar as minhas vontades e até mesmo escapar e viajar a outras cidades em busca daquela fuga que se encontra nos braços de outras “bondades”. Todas essas sensações estavam apagadas, e novamente, o anjo me levou à mesma morada. Eu levava um pacote de dinheiro embaixo do braço. Doaria e tentaria reaver aquele beijo. Quando lá cheguei avistei o velho pai tomando conta dos negócios. Era uma lojinha num cubículo que abriram. Talvez estivessem escondendo de mim alguns planos audaciosos para a família, e me deixaram de fora por falta de dinheiro. Mas a verdade é que a minha amada apareceu com outro, e aí meu coração sangrou de verdade. A florzinha que carregava e doaria ao ar da felicidade escondi dos olhos dos dois que passaram por mim para evitarem o constrangimento. Porém a Irma da Amada abraçou-me com a força da saudade, e beijou-me e pediu-me para seguir o meu caminho, “Aqui você teve a sua linda história, mesmo que por um tempo encurtado”. Ao olhar no alto da estrada a minha amada não podia ver as lágrimas que vertiam os cristais. Quando voltei, ainda há pouco, senti que algumas janelas se fecham realmente, mas se abrem por algum motivo. Não estão totalmente seladas. Os resquícios e os beijos lembrados são arte de uma natureza desconhecida. Posso sentir os espinhos arranhando, mas estou em outra esfera de luz, aguardando o momento de ser melhor, mesmo que um dia o sonho me acorde dizendo novamente que tenho que ser melhor, e ser melhor, e ser melhor...! Ives vietro

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Atalhos verdadeiros.

A natureza não marcaria a minha alma se eu soubesse decifrar os ecos escondidos nas entrelinhas do presente, e a Linda de cabelos encaracolados não deixava um único sinal de sua total falta de auto-estima! Passando o tempo forma-se a frase completa: universo! Não havia motivos aparentes para ela tirar de mim a minha rara vontade de amar, mas a Linda estava com as mãos geladas, palavras cortadas, os passos perdidos; sofrera a pouco tempo um sofrimento atroz, e eu, que seria seu espelho mais justo, não seria capaz de convencê-la de sua beleza que transcende o físico, e que esta nas canções de Beethoven, nas pinceladas de Modigliani ,nas catleias de Proust: imortal essência, das flores! Ou talvez, as infinitas repugnâncias que causei por não pertencer a este ideal que cresce sem fronteiras, impediria a Linda, de simplesmente repousar nos braços da poesia! Sentei-me diante das minhas plantas ancestrais; interpelei sobre essas vozes contundentes que costumam assustar as pessoas que não amam a si, e preferem não se atirar no fundo das florestas amigas, que indicam os atalhos verdadeiros: fui no mínimo, seu amigo! Ela partiu como se partem as pessoas mais distantes do amor, e voltam com as mãos vazias, pedindo mais daquele eflúvio singelo, sem cobranças! Não tenho a mínima magoa, por que acredito agora na natureza, que marca a minha alma de lições altaneiras, e que costumam ser revisadas por quem esqueceu na floresta, a própria beleza! abraços

sábado, 22 de junho de 2013

Beethoven

As três meninas de sorriso fácil e contagiante doavam um pouco de brilho aos circunspectos, mas eram a mim que dirigiam certos olhares. Meu amigo perguntou se eu iria revelar o segredo daquelas desconhecidas ou fugiria mais uma vez pelo vão da porta! E apesar de não ter nenhum interesse nas damas, acabei andando lentamente pelo bar noturno. As luzes e a fumaça davam aos meus sentidos inebriados uma gota de nostalgia; acho que Foi com o mesmo aspecto de invólucro de pessoas embriagas que conheci a minha amada imortal, mas ela estava e sempre esteve mais lúcida que a própria luz. Esperta! Quando as meninas riram quando falei que gosto de romances senti uma nódoa gelada em meus ouvidos. Voei no tempo e me lembrei de que a moça por quem eu me apaixonara sorriu um sorriso romântico quando falei sobre as minhas virtudes. Agora, o resquício de chacota deixou a minha pele branca, pálida! Chamei pelos meus amigos e ao chegarem fui em busca de sentido. Sai de lá como um cão farejando seu dono ausente. Sai de lá em busca do meu amor existente! E na telepatia dos que se amam um telefonema tirou um sorriso da minha boca sedenta, pois era a minha romântica e endeusada Senhorita. Voamos pelas estrelas em busca do cometa; pegamos na sua cauda e encontramos estrelas floridas. Que estranho, sinto mais sentido com ela que milhares de palavras ao ar, sem mar, sem luz, sem Beethoven...Nona, minha amada imortal!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quem é quem?

Criei o habito de esquecer as pessoas e frases amargas. As vezes um eco no fundo da minha alma traz à lembrança algum trauma ou outro, mas nada que crie alguma nódoa. A flor agora é gigante, e grita apenas sonhos divinos. As ondas que flutuam em meus dedos são mais humildes que prepotentes: não preciso mais disso! Mas os ecos de pessoas brilhantes são sempre irradiantes, e uma vez foi a flor em pessoa quem me mostrou a beleza da vida! Sempre fui tentado a experiências, e por muitos momentos pensei que partiria na caravana além, que me levaria aos meus sonhos, talvez à lua, quem sabe? Lembro-me que a minha “amiga” tinha medo de um ser que chamavam os mais doutores de mendigo, mas eu mesmo nunca encontrei tal nome associado a ninguém! Todos São humanos, Sr Doutor! Umas das razões que me levaram a abandonar o barco, Sr Comandante dos ares! O Senhor apenas sorriu, e a moça do medo continuou andando enquanto parei e interpelei se o ser de aspecto amarelo estava bem. Pergunta-se com fome? Amigo, amigo, irmão...?NÃO. Estávamos bebados talvez, a sociedade embriaga! A amiga partia como sempre partira. Passei a mergulhar no universo dos invisíveis, e como é melhor, não precisamos de compaixão, nem mentira, apenas de um ouvido amigo...! E ele disse: Eu estava aqui ouvindo o Réquiem no meu aparelho de som. Mozart, gosta?” Ai sim, fiquei surpreso, poucos amam a Deus! Religou o aparelho, e o som voltou a fluir nas camadas mais distantes, e as ondas da canção me levaram em sonho, não sei por que, ao hospital onde uma das pessoas mais queridas por mim sofrera tanto antes de partir na caravana além ; eu não entendia muito sobre a dor, não sabia que ela podia me iluminar também, e foi com um desconhecido que ela me fez ser alguém, e tocar com o coração banhado em lágrimas na face do bem. abraços

sábado, 25 de maio de 2013

silêncio

Todos queriam ficar perto do menino de sorriso fácil e divino! Quando o conheci, achei estranho o seu silêncio contagiante, e interpelei os circunspectos sobre aquela personalidade diferente. Deixei os meus conceitos e passei apenas a aprecia-lo, como todos faziam. Ele tinha olhos azuis e um semblante penetrante, as mulheres dançavam a sua volta como bailarinas esvoaçantes, pedintes, rastejantes, mas ele nem as observava; acho que preferia ficar mergulhado em seus devaneios! Uma vez ele disse algo para mim, uma frase curta, disse que estava com calor, e sorriu brevemente! Quando ele apareceu com a namorada na festa em que ambos fomos convidados, descobri o porquê dele não olhar para nenhuma outra mulher. Sua namorada era uma deusa em pessoa, com raios de infinitas proporções: como era bela! Ficava em silêncio também. Ao me apresentar a divina menina, ela abriu os seus olhos de marfim e deixou um brilho falso escapar; senti o calafrio da verdade por dentro. Certa vez o menino estava pálido, me disse que sua namorada ficaria alguns meses longe, e que a saudade estava cortando a sua pele. Mais tarde não o vi mais no lugar em que sempre nos encontrávamos, e ao perguntar por ele soube que estava doente, com muita febre! Fui ao hospital e suas lágrimas logo denunciaram a causa do problema; sua menina não voltaria mais, encontrara alguém falante, galante, esperto, “inteligente”. O anjo demorou a aceitar o afastamento, mas Deus é o seu guia dos humildes, e já estava de pé, com o mesmo silêncio poético! Como éramos amigos. Outra vez ele chegou perto de mim e mostrou o seu diploma. Estava se formando em medicina, uma profissão divina! Mais tarde soube que atendia pessoas gratuitamente, e não se importava em usar roupas mais simples e ter um carro modesto. Causava-me estranheza vê-lo sempre sozinho, disse que não queria mais saber de ninguém, que já sofrera o suficiente! Outro dia a menina que o deixara voltara de sua longa viagem, e ao procurar o médico foi rejeitada e expulsa de sua vida definitivamente, que ser inteligente! Tudo aconteceu a sua volta e a cada dia o admirava mais, não por seu diploma e sua simplicidade, mas apenas pelo seu silêncio! abraços